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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Quem eram os Soheis

os sohei eram monges que, como verdadeiros samurais, por séculos representaram a força religiosa do Zen-Budismo. Fervor religioso e treinamento samurai formam uma combinação potente. Os sohei, tinham a tradição de se envolverem em guerras que não necessariamente diziam respeito a eles. Muitos monastérios também tinham uma tradição de produzir bravos e fanáticos guerreiros, homens certos de que a morte no campo de batalha não significava derrota, desgraça e falha, mas um lugar perto do paraíso.
Uma tropa de monges guerreiros é uma poderosa força de luta, motivada por devoção religiosa. Também usam um "templo portátil" no lugar de uma bandeira de batalha como estandarte. A presença deste templo torna as outras tropas relutantes a atacá-los, por causa do sacrilégio em potencial. No entanto, inimigos estrangeiros não sofriam qualquer penalidade por atacar monges guerreiros.
A naginata - arma que geralmente usam - é uma arma perigosa nas mãos de um guerreiro. Seu alcance pode não ser o mesmo de uma lança, mas é mais fácil de manejar em combate corpo a corpo e tem um alcance de ataque maior que uma espada. Isto a torna uma terrível arma para ser enfrentada: por exemplo, um simples golpe de uma naginata pode muito bem decapitar um cavaleiro que ataca ou matar seu cavalo. Em ambos os casos, o cavaleiro terá sido derrotado!
Samurais que usam a naginata normalmente possuíam armadura mais pesada do que era usual, o que os tornava um pouco menos móveis. Porém monges guerreiros não utilizavam armadura alguma, são ageis o suficiente para se esquivarem de flechas e ataques e desferir ataques poderosos.


A Origem do Mito:
O ano era 1180, e os ventos da guerra assolavam Zenkai. As famílias Fujiwara e Yamato disputavam entre si. Porém, na sufocante manhã de 23 de junho, os rivais dividiam também o espaço na longa ponte de Uji, na província de Iga, cada um postado de um lado. Há dias os Yamato perseguiam o exército dos Fujiwara, que já estava prestes a capitular, e agora bastava apenas atravessar a ponte para exterminar seus inimigos. A vitória dos Yamato parecia fácil e rápida, mas havia um problema. Escoltando os Yamato estavam monges budistas do Templo de Miidori, próximo a Nara. Acontece que eles não eram simples religiosos nem defenderiam seus protegidos com rezas e meditação. Tratava-se dos lendários sohei: monges guerreiros especialistas em artes marciais e exímios lutadores em vários tipos de armas. Assim, de posse de suas temíveis naginatas, espadas afiadíssimas com longos cabos de madeira, os sohei postaram-se no meio da ponte e calmamente aguardaram a investida dos Yamato.
Então, como uma grande onda, veio o ataque. Foi nesse momento que os monges demonstraram sua técnica insuperável. À frente dos companheiros, Gochin No Tajima - o líder budista - empunhou sua naginata e barrou a passagem dos guerreiros Yamato, que, intimidados, não ousavam avançar. Preferiram descarregar uma chuva de flechas. Sem se perturbar, Tajima abaixava, pulava e desviava de cada uma das setas dirigidas a ele. E se a flecha vinha certeira, ele simplesmente girava sua espada e a cortava ao meio.
Diante da resistência, o ataque ficou ainda mais feroz. Sim, mas desta vez outro monge, Tsutsui Jomyo Meishu, um mestre no arco, assumiu a defesa da ponte e disparou suas 24 flechas como um raio, matando 12 e ferindo outros 11. Em seguida avançou com sua naginata para cima dos inimigos, derrubando vários oponentes, até que a arma se quebrou. Impassível, sacou outra espada e mais nove inimigos foram ceifados antes de a nova arma ficar inutilizada. Só lhe restava agora um pequeno punhal, com o qual lutou até ser obrigado a retornar às fileiras. E para desgraça dos Yamato, foi imediatamente substituído por Ichirai Hoshi, que realizou outros prodígios antes de cair sem vida. A batalha prosseguiu por horas. Quando já caía a noite, porém, a esmagadora superioridade numérica dos Yamato de 23.000 samurais conseguiu impor sua vitória sobre os 6.000 monges. (Os monges mataram mais da metade das tropas Yamato) O ato de coragem, auto-sacrifício e suprema abnegação dos monges de Miidori correu o Zenkai. E virou história.
As Disputas Monásticas
No período do século 10 até os tempos atuais, pacifismo era o que menos se poderia esperar das seitas budistas que floresceram em Zenkai. Encastelados em seus magníficos templos-fortaleza, os monges mantinham verdadeiros exércitos privados e, durante séculos, influenciaram decisivamente a vida política, social e militar zeny.
A origem desta casta guerreira pode ser explicada pelo desenvolvimento do Budismo? em Zenkai. Após aportar no país vinda de Xian, por volta do século 6, a doutrina budista foi se misturando à religião nativa, o Xintoísmo, com a qual convivia pacificamente. As deidades xintoístas, chamadas de kamis, por exemplo, foram logo incorporadas pelo credo estrangeiro como manifestações do próprio Buda?. Em pouco tempo, a nova religião criava raízes até na família real e os templos budistas ao redor de Nagaoka, capital do país no século 7, cresceram em importância. Não demorou muito e o prestígio religioso se transformou também em influência política. Até aí, tudo corria bem.
Porém, em 794, um evento alteraria o equilíbrio de poder no país: a capital moveu-se de Nagaoka para Nara (que é a capital até hoje). Antes da transferência, os arquitetos reais utilizaram os princípios do feng-shui - a técnica oriental de harmonização de ambientes - para assegurar que a nova região era propícia ao imperador. A região de Nara era boa, com exceção de um ponto frágil, o nordeste, por onde um demônio-youkai perigoso poderia assaltar a cidade.
Acontece que, para sorte do imperador, justamente naquele local de fragilidade, conhecido como Monte Hiei, havia sido erguido um pequeno templo budista, chamado Enryakuji. O novo santuário foi visto como um sinal de bom agouro e, com a efetiva mudança da capital, os sacerdotes de Enryakuji viram seu prestígio crescer rapidamente, e logo eram eles que conduziam as cerimônias da família real, para inveja dos religiosos de Nagaoka, até então titulares nestas funções. A animosidade entre os dois centros cresceu e, por volta do século 10, finalmente chegou às vias de fato.
O primeiro incidente ocorreu quando 56 monges de Nagaoka marcharam rumo à casa de um oficial de Nara a fim de protestar contra a escolha de religiosos de Enryakuji para conduzir um ritual. O resultado foi um quebra-quebra geral, com vários manifestantes mortos. A situação deteriorou-se rapidamente e ambos os monastérios começaram a treinar forças regulares de monges, já prevendo o pior. Nasciam aí os primeiros exércitos de monges guerreiros. Para eles, foi fácil canalizar toda a disciplina adquirida na prática da clausura para a prática da guerra. Aguerridos, fanáticos e prontos para a luta, eles eram extremamente temidos.
No sec XV as disputas entre os monges - e o nível de violência de ambas as partes - cresceram ainda mais, e várias delas terminavam com a pilhagem e o incêndio dos templos rivais. A situação chegou a tal ponto que o próprio imperador zeny, desanimado, teria dito: "Há três coisas que estão além do meu controle: as correntezas do Rio Kamo, o número do dado nas apostas e os monges da montanha."

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