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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Os Estágios no Treinamento marcial

Adaptado por shihan Rogério Costa
Dentro do treinamento de artes marciais os alunos passam por alguns estágios que definem em que pontos da trilha estão, são eles:
1. Keiko
Significa treinar. Este é o estágio em que usamos repetições mais lentas para a construção dos movimentos de base de um estilo, neste ponto analisamos cada golpe detalhadamente vendo cada uma de suas partes e detalhes, compreendendo como as técnicas trabalham em uma situação da luta. Com esta prática, o deshi inicia o entendimento de vários itens que serão muitos úteis no futuro, como guarda, postura, distancia e ângulos de ataques. Não existe uma relação de tempo entre cada um destes itens pois eles são usados golpe a golpe, mas podemos tentar dizer que no geral uma boa postura e atitude é conseguida quando o aluno se torna Uchi deshi
2. Tanren
Significa forjar, construir, o que fazemos com muito trabalho duro e suor, e em muitas horas de dedicação; onde entendemos como sermos suaves e resistentes ao mesmo tempo. Aqui descobrimos quais são os atributos de um guerreiro superior, “irremovivel como a rocha, fluido como água, rápido como o vento , destrutivo como o fogo e com a mente no vazio”. O aluno treina duramente desligando-se de tudo a sua volta e então sem ter que se preocupar com a exatidão dos movimentos, estes começam a se tornar corretos e eficazes e assim o aluno finalmente inicia o processo de associar a técnica na raiz de sua alma.
3. Renshu
Neste nível aperfeiçoamos aquilo que sabemos pela prática continuada do keiko e tanren. Moldamos também o espírito daquele que normalmente já tem algo a ser moldado e damos a ele altivez. Após este estágio, muitas vezes aparentemente nossas técnicas se tornam mais suaves, parecendo ser menos eficazes - mas nosso poder esta então no KI e não na força puramente muscular. E assim iniciamos um novo caminhar dentro de nosso destino.
Esses são os caminhos que percorremos em nosso treinamento, mas isso é apenas o começo de uma trajetória que se feita com coragem nos levará ao Kazentai.

LINHA CENTRAL, POSTURA DE BASE E VISÃO DE COMBATE

Por: Shihan Rogério Costa.

A linha central, consiste na técnica de proteger as áreas vitais do corpo humano, através de técnicas especiais de bloqueios. Geometricamente a linha central se localiza no centro do nosso corpo ,nos dividindo em dois pedaços iguais. Seu controle pode ser executado de duas maneiras : defesa fixa e defesa móvel.
Na defesa fixa os braços devem estar postados da seguinte maneira : o braço da frente fica entre o nariz e o topo da cabeça, não muito esticado e o de trás entre os olhos e o queixo, no máximo no pescoço. O braço da frente é responsável pelos bloqueios iniciais (normalmente o 1º ataque) e o de trás pelos bloqueios que vazarem o braço da frente . A postura da base das pernas deve ser a de Tetsuo no kamae onde o pé da frente e o de trás se encontram em angulo de aproximadamente 45º voltados para dentro e o corpo acompanha o mesmo angulo protegendo assim os genitais , a bexiga e outros órgãos internos. Os ombros ficam elevados e os cotovelos centrados e mantendo a linha central , assim protegendo as costelas flutuantes e os órgãos atrás delas .
Isso aliado a uma técnica eficaz de Tai-Sabaki, torna o SHINOBI um alvo de dificílimo acesso para o atacante.
Na defesa móvel, os braços devem cobrir a porção da linha central que vai desde o topo da cabeça até o umbigo ,com movimentos alternados e verticais ou alternados e circulares de maneira tal que impossibilite o acesso do inimigo ao seu corpo.
Obs: Em ambos os casos ,ataques abaixo da linha da cintura desferidos por chutes são defendidos por, no caso dos genitais ,se inclinando a perna da frente ligeiramente para dentro colocando a canela em angulo de interceptação do chute ; e no caso de chute nas pernas com técnicas especiais de avanço que fazem com que você intercepte o chute em um ponto de baixa força, ou pela interceptação deste com a canela ,batata da perna ou sola do pé ,dependendo da técnica. Isso sem mencionar o Tai-Sabaki que é o movimento de esquiva que diminui a potência ou anula o ataque.
Um domínio correto da linha central ,além de proporcionar os fatos que nos referimos acima, também é de extrema importância para um ataque poderoso e destruidor.
A visão em combate deve ser global , ou seja , deve abranger o campo frontal e o periférico , pois assim manteremos uma visão total do combate. Cada parte do corpo do inimigo denuncia um de seus ataques, por exemplo uma base lateral demonstra que este dará um koho geri ou um chute com a perna da frente, no caso do koho geri virá um giro de quadril ; um soco sempre será precedido de uma elevação dos ombros. Um avanço pode ser percebido pelo movimento dos ombros ou dos quadris. O rosto também mostra quando o inimigo vai atacar, pois este tende a contrair a musculatura antes do ataque, por exemplo franzindo a testa.
Olhe para o inimigo assim como olha para o horizonte , olhe através dele e faça-o ver em seus olhos o vazio , e muitas vezes acabará com um combate antes mesmo de começa-lo. O vazio gera um temor por não demonstrar intenção alguma, ele é o desconhecido e o ser humano tem mais medo do desconhecido do que da morte. É muito pior ver nos olhos de alguém o vazio do que a morte, pois a morte pelo menos é algo com que convivemos diariamente, pois a única certeza que temos ao nascer é que um dia vamos morrer.

Odori – A arte de equilibrar a energia

Por shihan Rogério Costa


Odori quer dizer dança, e tem dois significados na cultura oriental.
No primeiro destes significados Odori se refere a praticas de caráter religioso cerimonial, especialmente vinculado no Japão ao Xintoísmo e ao Budismo. Alguns exemplos são , as danças usadas em comemorações como o festival de Obon, que é uma homenagem aos espíritos dos amigos e familiares falecidos. Nesta tradição o Odori sobrevive como rito cerimonial associado com celebrações de muitos feriados religiosos.
O segundo significado de Odori é, ou melhor, era um segredo muito bem guardado de uma tradição das artes marciais japonesas, em particular do Minamoto Bujutsu de onde surgiu o Aikijujutsu. Existe desde tempos remotos um método de treinar conhecido como Aiki In Yo Odori, ou simplesmente, Aiki Odori. O mesmo consiste em uma combinação de movimentos especializados, junto com padrões respiratórios e de energia que visam equilibrar as duas polaridades de energia (In e Yo, In e Yang ou Su e Bu) dentro de nosso corpo.
Mas infelizmente o Aiki Odori entrou em desuso dentro da comunidade marcial, pois quase todos os Ryus acabaram perdendo o conhecimento do mesmo em algum ponto durante a parte posterior da era de Edo e o começo da Restauração de Meiji. Isso aconteceu principalmente devido a criação dos Katas pré-arranjados que substituíram os Katas livres originais (sem formas definidas) que as escolas anteriormente usavam.
Odori era um método de movimento de estilo livre que formou o coração do Bugei da escola de Minamoto contribuindo em muito para as habilidades marciais armadas e desarmadas dos mesmos.
Muitos dizem que Morihei Ueshiba praticou o Odori, e através dele descobriu como canalizar o Ki em sua criação marcial, o Aikido. No treino com o Jô e a Katana, ele era especialmente fantástico e o Odori o teria ajudado muito nisso. Mas a liberdade de movimento que ele tinha, acabou dando lugar a movimentos arranjados em Katas que hoje são ensinados em varias escolas pelo mundo afora.
No Hiten-Ryu, o Odori deu origem a formas avançadas de manipulação de Ki que existem nas formas de Aiki que praticamos.
Quando o general Douglas MacArthur proibiu a prática das artes marciais no Japão, muitos artistas marciais reavivaram a prática de Odori para serem capazes de praticar as artes marciais deles disfarçadas como danças folclóricas, mas na realidade eles estavam continuando o treinamento de Aikijujutsu que faziam a séculos.
Mas o Odori se espalhou de maneira interessante pelo Japão e mesmo depois de séculos continuou a ser ensinado, mesmo que de forma fechada na maioria das escolas.
Para entendermos como ele saiu do clã de Aizu vamos dar um exemplo: Olhemos para o décimo segundo século para localizar Yoshimitsu Minamoto que organizou o legado de arte marcial que foi transmitido ao clã Takeda e eventualmente tornou-se o Daito Ryu Aikijujutsu.
Entre os guerreiros treinados no Bujutsu familiar estavam os grandes guerreiros de Minamoto, Yoshiie, Yoshikiyo, Yoshitsune, Yoritomo, e Tametomo. É em Tametomo que nos prenderemos no momento. Em 1156, Tametomo participou em um incidente que foi chamado a Guerra de Hogen na qual o Minamoto lutou contra o clã Taira. Eventualmente o Taira ganhou este conflito e Tametomo foi exilado para Ilha de Oshima.
O clã Taira, esperando terminar qualquer esperança de uma ameaça deste grande guerreiro, e querendo não o matar por respeito, cortou os músculos do braço dele. Mas Tametomo conseguiu se curar usando conhecimentos de I-jutsu ( medicina oriental) e de Ki, e escapou para Okinawa onde se reuniu com aliados e planejou organizar um retorno contra o inimigo. Em Okinawa o clã Minamoto conheceu a classe governante da ilha e tornaram-se amigos dos mesmos. Tametomo se casou uma mulher de Okinawa e teve um filho que ficou conhecido pelo nome de Shunten. O mesmo aconteceu com outros samurais. Nós sabemos que Shunten se tornou o primeiro imperador de Okinawa.
Quando Tametomo deixou Okinawa para voltar à batalha contra o clã Taira, é uma certeza que ele teria deixado para trás um guardião para o filho dele cuja responsabilidade teria sido completar a educação dele, especialmente com respeito às artes marciais.
A arte marcial de Okinawa chama-se Bushi Te. Te para venerar a arte própria da ilha e Bushi para honrar o Samurai de quem eles aprenderam o Bujutsu formal.
Quando a dinastia de Sho foi estabelecida determinou-se que cada criança da família real teria que aprender a arte marcial familiar secreta que nunca foi compartilhada fora da classe governante. Cada família teve a própria idéia de como isto deveria ser controlado.
No caso de Sho Shitsu, o filho primogênito dele, Sho Tei se tornou o próximo rei de Okinawa, enquanto o sexto filho dele, Sho Koshin, fundou a família de Motobu. Ele mudou o nome dele para Chohe e continuou praticando a arte marcial passada pelo pai dele. Ele superou as artes que aprendeu, e escolheu ensinar só seu filho primogênito os segredos que tinha descoberto.
Tempos depois Choyu decidiu que, com o fim da era feudal, a necessidade para tal segredo específico era desnecessária. Ele então decidiu ensinar todos seus filhos, mas infelizmente seu filho primogênito morreu jovem, e seus filhos mais jovens não estavam interessados em aprender a arte, pois viam isto como arcaico e desnecessário para a vida moderna.
Mas ele não queria que sua forma marcial (goten-te – mão do palácio) morresse e assim escolheu ensinar para o melhor amigo do filho mais jovem dele a arte, com a compreensão que ele ensinaria o filho Toraju cujo nome de adulto se tornou eventualmente, Chomo.
Infelizmente, Chomo morreu no bombardeio de Okinawa durante Segunda Guerra Mundial. Isto tornou Uehara o último mestre praticante de Goten Te. Ele então decidiu compartilhar sua arte para que ela não morresse e para tanto abriu o ensino chamando-o de Motobu Ryu Kobujutsu, sendo que o principio central desta arte é o Odori Te.
Com isso mostramos como o Odori fez seu caminho até nossos dias, mas não houve somente esse caminho, cada um dos guerreiros que aprendeu o mesmo teve um destino e com ele o Odori seguiu até nossos dias.
Mas hoje o Odori esta esquecido por muitos que se apegam a formas e nelas vêem um meio de treino e de exibição.
Nossa escola diz que formas pré determinadas de nada servem a não ser para se ensinar a base dos movimentos e sempre devem ser executadas dois a dois, pois executar movimentos no ar não dá noção de reação ante um ataque real.
Tentamos dar prosseguimento a uma tradição milenar e transmitir o conhecimento do Ki para a prosperidade e o Odori é um ponto importante deste estudo onde os movimentos devem seguir o Ki e com ele se harmonizar. O odori é uma dança com o Cosmos na qual nos envolvemos com a energia a nossa volta e com isso conseguimos alcançar um potencial interior antes não conhecido. O odori pode ser uma Dança de grande beleza ou de letal destruição. Como tudo no Cosmos, dentro dele, existe a essência da Vida e da Morte, e apenas aquele que dança poderá saber em qual destino seus movimentos finalizarão.

Taikô - Tambores

A palavra taiko tanto pode definir a música de percussão executada com tambores quanto o instrumentos em si. Presente na história da música japonesa há pelo menos 1.500 anos, antigamente o tambor era considerado um dos símbolos da comunidade rural, pois se dizia que o limite da aldeia era determinada não só geograficamente, mas também pela distancia que o som da batida era ouvido.
Também chamado de tambor japonês ou percussão tradicional japonesa, o taikô é usado normalmente em cerimônias religiosas (mais nos festivais shintô do que budistas), festividades (matsuri) e shows artísticos. Coberto por uma superfície de membrana animal, ele pode ser encontrado em diversas formas e tamanhos. O chodô-daiko por exemplo, possui 1,50 metros de diâmetro.
Uma característica do taiko japonês é a seqüência de notas. Seu som é completamente diferente de uma bateria, pois sua afinação constante propõe ao ouvinte uma participação singular em que ritmo, intensidade e coreografia criam a cada peça uma experiência única.
O Taiko requer do músico disciplina, concentração e excelente preparo físico. Até recentemente foi uma arte reservada aos homens mas agora mulheres também participam do grupo de taiko.
Fonte: Planeta Zen

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Soheis 2

Xogunato Ashikaga
A Era dos Estados em Guerra
O imperador (tenno) e o comandante militar (xogun) foram as personalidades políticas dominantes em boa parte da história do Japão Medieval, época em que não havia centralização política ou administrativa e sim uma espécie de separação entre aquele que representava o poder divino (o Mikado) e o que exercia o poder secular (o governante do bakufu).
A partir do século XII, com a ascensão de Yoritomo Minamoto, após a guerra civil de Genpei, vencida por ele em 1185, o poder político passou a ser exercido diretamente pelo xogum. Todavia, a sua autoridade era permanentemente desafiada pelos daimyos, os senhores feudais que tinham os hans, os domínios, sob o seu controle.
A casta dominante dividiu-se, desde então, entre os cortesãos que compunham a kuge, a corte do imperador sediado em Kioto, e os guerreiros samurais, que obedeciam ao xogum o qual, depois de ter governado outras cidades, instalou-se em Edo (Tóquio).
O Japão, das tantas coisas que imitou a China, jamais aderiu ao tipo de administração conhecida como o regime dos Mandarins, pelo qual o imperador controla as províncias por meio de um funcionário seu, o mandarim, indivíduo selecionado através de um rigoroso concurso público.
[editar]Guerras endêmicas



Desembarque de mercadorias portuguesas em Nagasaki (Século XVI)
Desembarque de mercadorias portuguesas em Nagasaki (Século XVI) Foi na época do xogunato Ashikaga, no século XV, que a crise de autoridade se aprofundou, ocasião em que vários chefes clânicos (Hogo, Takeda, Uesugui, Mori e Imagwa) entraram em guerra entre si para conquistar o poder absoluto.
Esse triste período da história nacional foi denominado como Sengoku-jidai, a Era dos Estados em Guerra, cuja primeira fase estendeu-se por mais de um século: entre 1467, ocasião do princípio da Guerra Onin, até a emergência de Oda Nobunaga como o novo “homem-forte” do país e o primeiro dos reunificadores, em 1568.
Entrementes, dois outros episódios importantes dessa época merecem atenção:
01) A sangrenta guerra travada entre dois poderosíssimos senhores-da-guerra, Takeda Shingen e Uesugi Kenshin, que acumulavam a chefia de seitas budistas rivais pelo controle da região central denominada Kawanakajima, onde estava a província de Shinano, o que os arrastou por um conflito no qual travaram-se cinco batalhas, uma guerra que perdurou por 12 anos, de 1553 a 1564.
02) A supressão da ordem dos sohei, monges guerreiros da seita de Ikko-ikki (a Liga dos Devotos), fanáticos adoradores de Buda. Formavam uma poderosa coligação de camponeses pobres , monges e ronins, samurais que haviam perdido sua posição e que haviam se rebelado, no século XV, na província de Kaga, contra o governo.
A seita chegou a tomar vários castelos, construindo o seu centro espiritual no Mosteiro de Enryakuji, situado no Monte Heiji, tendo Kioto aos seus pés. Coube ao daimyo Toyotomi Hideyoshi e ao xogum Tokugawa Ieyasu, contando com apoio local, darem um fim à independência que a seita possuía (Tokugawa ordenou o arraso de mais de 3 mil prédios, edifícios e templos controlados pela Ikko-ikki).
A exaustão dos contendores depois de quase um século de guerra, o empobrecimento e a miséria em que as ilhas se encontraram, facilitaram o caminho para que nos séculos seguintes um regime autoritário se impusesse: uma ditadura militar, bem mais forte do que o absolutismo europeu, intsalou-se no Japão: o Xogunato Tokugawa.
Na fase final do conflito, entre 1568-1600, três daimyos destacaram-se, os “Três Unificadores”: Oda Nobunaga (morto em 1582); Toyotomi Hideoshi (morto em 1598); e Togukawa Ieyasu (falecido em 1616). Eles, em etapas, conseguiram reunificar o Império dilacerado pela longa guerra civil destrutiva. A batalha derradeira foi a de Sekigahara travada no ano de 1600, ocasião em que Tokugawa Ieyasu, investido como Seii Taixogum, contando com o auxílio de 3 mil mosqueteiros, conseguiu derrotar o último rebelde.
[editar]Idade de Ouro do Samurai



Samurais em combates permanente
Samurais em combates permanentes Exatamente por viverem em meio às guerras endêmicas, o prestígio dos espadachins atingiu as nuvens. Aquela fora a época de ouro dos samurais, pois eles se tornaram os instrumentos mais importantes à disposição dos daimyos para fazerem frente aos seus rivais.
Entre tantos, destacou-se o nome de Miyamoto Musashi (1584-1645), um duelista lendário por sua coragem e habilidade no uso das espadas, fundador de um estilo de esgrima, o Niten Ichiryu, que conseguiu sobreviver a incontáveis combates travados contra outros especialistas, seus rivais.
Ele se tornou uma figura emblemática, antecipando o que ocorreu com muitos dos guerreiros quando a paz se instalou, pois Musashi, após ter aposentado sua katana aos 50 anos de idade, escolhendo o castelo de Kunatomo como retiro, dedicou-se à pintura e à poesia, levando uma vida de homem cultivado.
Chegou a publicar um livro famoso, intitulado Gorin No Sho (O Livro dos Cinco Anéis: terra, água; fogo, vento e o vazio, de 1644), um manual estratégico de orientação para a luta, até hoje usado, o que fez com que o povo o chamasse de Kensei, "o santo da espada".
[editar]Organização do Xogunato



A organização do Xogunato
A organização do Xogunato A imposição da Paz Tokugawa, ao redor do ano de 1600, implicou a aceleração da política da reunificação nacional. O xogum vitorioso, após ter eliminado a turbulência dos senhores-da-guerra e das seitas insubmissas, introduzindo um governo centralizado ao redor do bakufu (palavra que originalmente significava acampamento, mas que se tornou sinônimo de governo), estabeleceu o império do bakuhan (xogunato e seus domínios).
Além disso, o xogum reforçou o sistema social hierárquico, criando normas restritas para cada profissão ou função. Vedou aos samurais praticarem o comércio, mas facilitou-lhes o acesso à administração, como gerentes qualificados e supervisores dos feudos.
Cada japonês, ao nascer, tinha uma função previamente determinada, fosse camponês, artesão, um desprezível mercador ou um guerreiro. Cada um deles tinha um vestuário próprio e um estatuto diferenciado dos demais. Foi como se o xogum tentasse congelar uma sociedade inteira num rígido e hierárquico quadro social.

Soheis 1

Combatentes disciplinados os "SOHEI" eram monges que, como verdadeiros samurais, por séculos representaram uma das principais forças políticas e militares do Japão.

O ano era 1180, e os ventos da guerra assolavam o Japão. Dois clãs, os Minamotos e os Tairas, dividiam o país entre si. Porém, na sufocante manhã de 23 de junho, os rivais dividiam também o espaço na longa ponte de Uji, na província de Iga, cada um postado de um lado. Há dias os Tairas perseguiam o exército dos Minamotos, que já estava prestes a capitular, e agora bastava apenas atravessar a ponte para exterminar seus inimigos. A vitória dos Tairas parecia fácil e rápida, mas havia um problema.

Escoltando os Minamotos estavam monges budistas do Templo de Midori, próximo a Kyoto. Acontece que eles não eram simples religiosos nem defenderiam seus protegidos com rezas e meditação. Tratava-se dos lendários sohei: monges guerreiros especialistas em artes marciais e exímios lutadores em vários tipos de armas. Assim, de posse de suas temíveis naginatas, espadas afiadíssimas com longos cabos de madeira, os sohei postaram-se no meio da ponte e calmamente aguardaram a investida dos Tairas.

Então, como uma grande onda, veio o ataque. Foi nesse momento que, segundo a obra clássica Heike Monogatari (A História de Heike), escrita no século 13, os monges demonstraram sua técnica insuperável. A frente dos companheiros, Gochin No Tajima empunhou sua naginata e barrou a passagem dos guerrreiros Tairas, que, intimidados, não ousavam avançar. Preferiram descarregar uma chuva de flechas. Sem se perturbar, Tajima abaixava, pulava e desviava de cada uma das setas dirigidas a ele. E se a flecha vinha certeira, ele simplesmente girava sua espada e a cortava ao meio.

Diante da resistência, o ataque ficou ainda mais feroz. Sim, mas desta vez outro monge, Tsutsui Jomyo Meishu, um mestre no arco, assumiu a defesa da ponte e "disparou suas 24 flechas como um raio, matando 12 e ferindo outros 11". Em seguida avançou com sua naginata para cima dos inimigos, derrubando vários oponentes, até que a arma se quebrou. Impassível, sacou outra espada e mais nove inimigos foram ceifados antes de a nova arma ficar inutilizada. Só lhe restava agora um pequeno punhal, com o qual lutou até ser obrigado a retomar às fileiras.

E para desgraça dos Tairas, foi imediatamente substituído por Ichirai Hoshi, que realizou outros prodígios antes de cair sem vida. A batalha prosseguiu por horas. Quando já caía a noite, porém, a esmagadora superioridade numérica dos Tairas conseguiu impor sua vitória. Mas o ato de coragem, auto-sacrifício e suprema abnegação dos monges de Midori correu o Japão. E virou história.

SENHORES DA GUERRA

Contrastando com a imagem pacífica que todos têm do Budismo hoje, no período entre os séculos 10 e 17 pacifismo e tolerância eram o que menos se poderia esperar das seitas budistas que floresceram no Japão. Encastelados em seus magníficos templos-fortaleza, os monges mantinham verdadeiros exércitos privados e, durante séculos, influenciaram decisivamente a vida políítica, social e militar japonesa.

A origem desta casta guerreira pode ser explicada pelo desenvolvimento do Budismo no Japão. Após aportar no país vinda da China, por volta do século 6, a doutrina budista foi se misturando à religião nativa, o Xintoísmo, com a qual convivia pacificamente. As deidades xintoístas, chamadas de kamis, por exemplo, foram logo incorporadas pelo credo estrangeiro como manifestações do próprio Buda. Em pouco tempo, a nova religião criava raízes até na família real e os templos budistas ao redor de Nara, capital do país no século 7, cresceram em importância. Não demorou muito e o prestígio religioso se transformou também em influência política. Até aí, tudo corria bem.

Porém, em 794, um evento alteraria o equilíbrio de poder no país: a capital moveu-se de Nara para Kyoto (onde ficou até 1868, quando foi transferida para Tóquio). Antes da transferência, os arquitetos reais utilizaram os princípios do feng-shui - a técnica oriental de harmonização de ambientes - para assegurar que a nova região era propícia ao imperador. Sim, a região de Kyoto era boa, com exceção de um ponto frágil, o nordeste, por onde um demônio podia assaltar a cidade.

Acontece que, para sorte do imperador, justamente naquele local de fragilidade, conhecido como Monte Hiei, havia sido erguido um pequeno templo budista, chamado Enryakuji. O novo santuário foi visto como um sinal de bom agouro e, com a efetiva mudança da capital, os sacerdotes de Enryakuji viram seu prestígio crescer rapidamente, e logo eram eles que conduziam as cerimônias da família real, para inveja dos religiosos de Nara, até então titulares nestas funções. A animosidade entre os dois centros cresceu e, por volta do século 10, finalmente chegou às vias de fato.

O primeiro incidente ocorreu quado 56 monges de Nara marcharam ruumo à casa de um oficial de Kyoto a fim de protestar contra a escolha de religiosos de Enryakuji para conduzir um ritual. O resultado foi um quebra-quebra geral, com vários manifestantes mortos. A situação deteriorou-se rapidamente e ambos os monastérios começaram a treinar forças regulares de monges, já prevendo o pior. "Nasciam aí os primeiros exércitos de monges guerreiros. Para eles, foi fácil canalizar toda a disciplina adquirida na prática da clausura para a prática da guerra.

Aguerridos, fanáticos e prontos para a luta, eles eram extremamente temidos, do mesmo modo como a ordem militar dos templários era temida no Ocidente", afirma o monge budista Ricardo Mário Gonçalves, exprofessor de História das Religiões da USP. Mas de acordo com estudiosos, os conflitos entre os sohei não tinham nenhum fundo religioso. "Essas disputas entre templos e facções não devem ser compreendidas por nós como guerras religiosas", afirma o especialista em Japão Medieval Stephen Turnbull, autor do livro japanese Warrior Monks (Monges Guerreiros japoneses, inédito no Brasil). "Elas não envolviam pontos da doutrina, ou dogmas, como acontecia com os conflitos na Europa medieval. A questão era puramente política."

Seja como for, as disputas entre os monges - e o nível de violência de ambas as partes - cresceram ainda mais, e várias delas terminavam com a pilhagem e o incêndio dos templos rivais. A situação chegou a tal ponto de degeneração que, como relata o épico Heike Monogatari, o próprio imperador japonês, desanimado, teria dito: "Há três coisas que estão além do meu controle: as correntezas do Rio Kamo, o número do dado nas apostas e os monges da montanha."

CREPÚSCULO DE UMA ERA

Em 1180, com a crescente desagregação do poder central, o Japão mergulhou numa guerra civil. A essa altura, os diversos monastérios eram, além de forças políticas, consideráveis potências militares. E tomaram partidos opostos. Os monges de Enryakuji, no Monte Hiei, apoiaram o clã dos Tairas, enquanto os sacerdotes de Nara e Midori uniram forças aos Minamotos. Quando os Tairas triunfaram, o grande templo em Nara estava com seu destino selado: foi queimado até o chão, garantindo para Enryakuji o poder absoluto nas esferas religiosa e, claro, política e comercial. "Em 1280, os sacerdotes controlavam oitenta por cento das destilarias de saquê e das casas de empréstimo, além de contar com uma força de intimidação para estimular os devedores e coibir os arruaceiros", afirma Turnbull.

Entretanto, esse domínio relativamente tranqüilo dos monges de Entyakuji, que perdurou por alguns séculos, também chegou ao fim. Mais uma vez, a guerra iria desestabilizar o universo dos sohei. Mas, desta vez, para sempre.

Por volta de 1470, o poder central novamente se enfraqueceu e o Japão entrou novamente numa longa guerra civil, que durou cerca de cento e cinqüenta anos. Com o caos instalado, o poder dos sohei voltava a ser o fiel da balança. Acontece que, naquela época, novas castas de guerrreiros budistas, ainda mais radicais, haviam surgido nas províncias: para eles, morrer em combate por Buda era uma passagem direta para a Iluminação. Estas seitas fundamentalistas cresceram à revelia dos monges do Monte Hiei e não demorou muito para que decidissem ocupar o poder político de fato. Finalmente, uma delas realizou um feito inédito: tomou o controle de uma província pela primeira vez, os senhores de uma terra não eram aristocratas ou samurais. Para combater os insurgentes, foi deslocado ninguém menos que Ieyasu Tokugawa, o homem que mais tarde se tornaria xogum, comandante supremo no Japão, e unificaria o país. E sua ação foi avassaladora. Em 1564 ele já havia retomado a província e queimado todos os templos dos religiosos fundamentalistas.

Os sacerdotes do Monte Hiei tammbém não gostaram do surgimento das novas seitas, em especial uma chamada Nichiren-shu, que havia se fixado em Kyoto. Em 1567, então, o "dragão" despertou e os monges de Hiei tomaram Kyoto de assalto, incendiando 21 templos do grupo rival. Revitalizados pela ofensiva, os sohei de Hiei decidiram entrar com tudo na disputa pelo poder político. Aliaram-se a um dos clãs em guerra para, como haviam feito antes, colher os dividendos depois. Só que desta vez os monges apostaram no cavalo errado.

Oda Nobunaga, um dos mais fortes líderes que brigavam pela hegemonia do país e um autêntico mão-de-ferro, derrotou o clã apoiado pelos sohei e decidiu utilizar os sacerdotes do Monte Hiei como exemplo para todos aqueles que desafiassem seu poder. Assim, em 1571, reuniu um exército de 30 mil homens e atacou o templo da montanha. A resistência foi feroz, mas sob flechas e fogo os monges finalmente sucumbiram. Calcula-se que mais de 20 mil habitantes de Hiei foram mortos naquele dia. Centenas deles, quando encurralados, atiraram-se às chamas entoando frases budistas como: "Concentremos nossas mentes. Água fervendo ou fogo não são piores do que a brisa refrescante."

Não satisfeito, Oda partiu para cima dos outros templos de sohei que ainda estavam de pé - para ele, que havia perdido um irmão em lutas anteriores com os monges, era questão de honra limpar a terra de todas as seitas militares. O golpe de misericórdia, entretanto, veio quando Ieyasu Tokugawa tornou-se xogum, no início do século 17. "Enquanto os sohei se enfraqueciam combatendo uns aos outros, Tokugawa coibiu a prática de artes marciais nos templos, restringindo a contenda entre os monges ao plano religioso", afirma Turnbull. O Budismo continuaria a exercer grande influência no Japão, sim, mas nunca mais as seitas religiosas teriam papel militar no país. Findava ali a era das castas guerreiras. E como a fumaça de um incenso que se esvai, os sohei, com suas afiadíssimas naginatas, desapareceram para sempre.

Mezzo-mosteiro, mezzo-quartel

Em meio aos treinamentos militares, os sohei também levavam uma vida religiosa "normal"

Quando não estavam cortando as cabeças dos adversários em combate, o cotidiano dos monges era regido por extrema disciplina. Irmão Gaspar Vilela, um missionário jesuíta que visitou as instalações de um dos templos, em 1570, descreveu os monges guerreiros como sendo "muito parecidos com os Cavaleiros de Rodes" (denominação posterior da Ordem dos Hospitalários, que defendeu a Ilha de Rodes, na Grécia, com unhas e dentes, contra o sultão Suleiman em 1522). Para ele, os monges "eram devotados e preparados para lutar por sua fé". Segundo afirmou, a alimentação dos sohei obedecia aos princípios da moderação.

Geralmente, os monges comiam apenas uma ou duas vezes por dia, e o cardápio básico consistia de pequenas porções de arroz, peixe, vegetais, algas marinhas ou frutas. De vez em quando, a refeição era acrescida de carne de veado, de javali ou de pássaros. O jesuíta também deixou relatos sobre o treinamento diário dos sohei. Além das tradicionais obrigações religiosas e comunitárias, cada monge tinha que preparar de cinco a sete flechas por dia, além de tomar parte em competições com o arco ao menos uma vez por semana.

Seus elmos, armaduras e lanças eram assustadoramente resistentes, e "suas afiadíssimas espadas podiam facilmente cortar um homem em dois, mesmo que ele estivesse utilizando armadura", O treinamento diário era severo, "e a morte ocasional de algum deles durante a prática era aceita sem nenhuma emoção", atestou o jesuíta. Mas um aspecto considerado chocante por Vilela foi constatar que, ao contrário da doutrina monástica ocidental, os sacerdotes guerreiros tinham acesso a bebida - não abriam mão de doses de saquê -, mulheres e música.

O MONGE DOS MONGES:

A bravura e a perícia dos sohei eram reconhecidas por todos, inclusive pelo próprio Musashi, considerado o maior samurai da história do Japão: após muito custo para vencer um dos monges, ele se declarou altamente impressionado com a técnica de luta dos sacerdotes guerreiros. E, dentre todos, o lendário Benkei é tido como o verdadeiro arquétipo da estirpe de combatentes de Buda. Originalmente, Benkei fazia parte da tradicional comunidade de Enryakuji, no Monte Hiei, mas foi expulso por mau comportamento. Então, decidiu se isolar, transformando sua casa num mosteiro-de-um-homem-só.

Um dia, porém, Benkei pôde demonstrar a honra que todos pensavam que não tinha. No ano 1189. durante uma batalha, o general a quem servia foi derrotado e precisava de paz para poder realizar dignamente seu haraquiri, o suicídio ritual. E foi Benkei quem lhe garantiu os minutos de que precisava: com a naginata em punho, repeliu todos os inimigos do general. Flechado impiedosamente, até parecer um porco-espinho, Benkei permaneceu em pé até que seus inimigos não ousaram mais se aproximar. Finalmente, um deles reparou no inimaginável: Benkei já estava morto, mas permanecera de pé. Com um detalhe: cumprira seu objetivo.

Fabiano Onça - Revista Religiões

Quem eram os Soheis

os sohei eram monges que, como verdadeiros samurais, por séculos representaram a força religiosa do Zen-Budismo. Fervor religioso e treinamento samurai formam uma combinação potente. Os sohei, tinham a tradição de se envolverem em guerras que não necessariamente diziam respeito a eles. Muitos monastérios também tinham uma tradição de produzir bravos e fanáticos guerreiros, homens certos de que a morte no campo de batalha não significava derrota, desgraça e falha, mas um lugar perto do paraíso.
Uma tropa de monges guerreiros é uma poderosa força de luta, motivada por devoção religiosa. Também usam um "templo portátil" no lugar de uma bandeira de batalha como estandarte. A presença deste templo torna as outras tropas relutantes a atacá-los, por causa do sacrilégio em potencial. No entanto, inimigos estrangeiros não sofriam qualquer penalidade por atacar monges guerreiros.
A naginata - arma que geralmente usam - é uma arma perigosa nas mãos de um guerreiro. Seu alcance pode não ser o mesmo de uma lança, mas é mais fácil de manejar em combate corpo a corpo e tem um alcance de ataque maior que uma espada. Isto a torna uma terrível arma para ser enfrentada: por exemplo, um simples golpe de uma naginata pode muito bem decapitar um cavaleiro que ataca ou matar seu cavalo. Em ambos os casos, o cavaleiro terá sido derrotado!
Samurais que usam a naginata normalmente possuíam armadura mais pesada do que era usual, o que os tornava um pouco menos móveis. Porém monges guerreiros não utilizavam armadura alguma, são ageis o suficiente para se esquivarem de flechas e ataques e desferir ataques poderosos.


A Origem do Mito:
O ano era 1180, e os ventos da guerra assolavam Zenkai. As famílias Fujiwara e Yamato disputavam entre si. Porém, na sufocante manhã de 23 de junho, os rivais dividiam também o espaço na longa ponte de Uji, na província de Iga, cada um postado de um lado. Há dias os Yamato perseguiam o exército dos Fujiwara, que já estava prestes a capitular, e agora bastava apenas atravessar a ponte para exterminar seus inimigos. A vitória dos Yamato parecia fácil e rápida, mas havia um problema. Escoltando os Yamato estavam monges budistas do Templo de Miidori, próximo a Nara. Acontece que eles não eram simples religiosos nem defenderiam seus protegidos com rezas e meditação. Tratava-se dos lendários sohei: monges guerreiros especialistas em artes marciais e exímios lutadores em vários tipos de armas. Assim, de posse de suas temíveis naginatas, espadas afiadíssimas com longos cabos de madeira, os sohei postaram-se no meio da ponte e calmamente aguardaram a investida dos Yamato.
Então, como uma grande onda, veio o ataque. Foi nesse momento que os monges demonstraram sua técnica insuperável. À frente dos companheiros, Gochin No Tajima - o líder budista - empunhou sua naginata e barrou a passagem dos guerreiros Yamato, que, intimidados, não ousavam avançar. Preferiram descarregar uma chuva de flechas. Sem se perturbar, Tajima abaixava, pulava e desviava de cada uma das setas dirigidas a ele. E se a flecha vinha certeira, ele simplesmente girava sua espada e a cortava ao meio.
Diante da resistência, o ataque ficou ainda mais feroz. Sim, mas desta vez outro monge, Tsutsui Jomyo Meishu, um mestre no arco, assumiu a defesa da ponte e disparou suas 24 flechas como um raio, matando 12 e ferindo outros 11. Em seguida avançou com sua naginata para cima dos inimigos, derrubando vários oponentes, até que a arma se quebrou. Impassível, sacou outra espada e mais nove inimigos foram ceifados antes de a nova arma ficar inutilizada. Só lhe restava agora um pequeno punhal, com o qual lutou até ser obrigado a retornar às fileiras. E para desgraça dos Yamato, foi imediatamente substituído por Ichirai Hoshi, que realizou outros prodígios antes de cair sem vida. A batalha prosseguiu por horas. Quando já caía a noite, porém, a esmagadora superioridade numérica dos Yamato de 23.000 samurais conseguiu impor sua vitória sobre os 6.000 monges. (Os monges mataram mais da metade das tropas Yamato) O ato de coragem, auto-sacrifício e suprema abnegação dos monges de Miidori correu o Zenkai. E virou história.
As Disputas Monásticas
No período do século 10 até os tempos atuais, pacifismo era o que menos se poderia esperar das seitas budistas que floresceram em Zenkai. Encastelados em seus magníficos templos-fortaleza, os monges mantinham verdadeiros exércitos privados e, durante séculos, influenciaram decisivamente a vida política, social e militar zeny.
A origem desta casta guerreira pode ser explicada pelo desenvolvimento do Budismo? em Zenkai. Após aportar no país vinda de Xian, por volta do século 6, a doutrina budista foi se misturando à religião nativa, o Xintoísmo, com a qual convivia pacificamente. As deidades xintoístas, chamadas de kamis, por exemplo, foram logo incorporadas pelo credo estrangeiro como manifestações do próprio Buda?. Em pouco tempo, a nova religião criava raízes até na família real e os templos budistas ao redor de Nagaoka, capital do país no século 7, cresceram em importância. Não demorou muito e o prestígio religioso se transformou também em influência política. Até aí, tudo corria bem.
Porém, em 794, um evento alteraria o equilíbrio de poder no país: a capital moveu-se de Nagaoka para Nara (que é a capital até hoje). Antes da transferência, os arquitetos reais utilizaram os princípios do feng-shui - a técnica oriental de harmonização de ambientes - para assegurar que a nova região era propícia ao imperador. A região de Nara era boa, com exceção de um ponto frágil, o nordeste, por onde um demônio-youkai perigoso poderia assaltar a cidade.
Acontece que, para sorte do imperador, justamente naquele local de fragilidade, conhecido como Monte Hiei, havia sido erguido um pequeno templo budista, chamado Enryakuji. O novo santuário foi visto como um sinal de bom agouro e, com a efetiva mudança da capital, os sacerdotes de Enryakuji viram seu prestígio crescer rapidamente, e logo eram eles que conduziam as cerimônias da família real, para inveja dos religiosos de Nagaoka, até então titulares nestas funções. A animosidade entre os dois centros cresceu e, por volta do século 10, finalmente chegou às vias de fato.
O primeiro incidente ocorreu quando 56 monges de Nagaoka marcharam rumo à casa de um oficial de Nara a fim de protestar contra a escolha de religiosos de Enryakuji para conduzir um ritual. O resultado foi um quebra-quebra geral, com vários manifestantes mortos. A situação deteriorou-se rapidamente e ambos os monastérios começaram a treinar forças regulares de monges, já prevendo o pior. Nasciam aí os primeiros exércitos de monges guerreiros. Para eles, foi fácil canalizar toda a disciplina adquirida na prática da clausura para a prática da guerra. Aguerridos, fanáticos e prontos para a luta, eles eram extremamente temidos.
No sec XV as disputas entre os monges - e o nível de violência de ambas as partes - cresceram ainda mais, e várias delas terminavam com a pilhagem e o incêndio dos templos rivais. A situação chegou a tal ponto que o próprio imperador zeny, desanimado, teria dito: "Há três coisas que estão além do meu controle: as correntezas do Rio Kamo, o número do dado nas apostas e os monges da montanha."

História do Japão parte 4

6.6.1 – A "descoberta" do Japão:
Em 1542 (as fontes consultadas são controversas entre 1540, 1542 e até 1549, sendo esta última data totalmente descartada com base em outras fontes, como veremos), aportaram no Japão navios portugueses. Obviamente, a expedição fazia parte do processo colonizador do qual Portugal e Espanha foram pioneiros no mundo. Os navios traziam seda chinesa, produtos europeus mas, sobretudo, armas de fogo. Os Portugueses foram recebidos e acolhidos amigavelmente pelo daimyo que os recebeu e sua movimentação causou grande frenesi na população e nos mais poderosos senhores regionais. Sendo assim, os japoneses adotaram uma política de acolhimento aos estrangeiros, mas os impediram de interferirem nos assuntos governamentais da nação que se encontrava esfacelada politicamente.

Aos Portugueses se seguiram os Espanhóis, e com eles, além dos produtos que os primeiros já haviam trazido para o arquipélago, vieram também, em 1549, os primeiros jesuítas, tais como o padre Francisco Xavier. Os religiosos intentavam iniciar no Japão o mesmo processo que estavam realizando na América, ou seja, a destruição das religiões locais e a catequese maciça da população à fé Cristã.
Os Espanhóis eram conquistadores muito mais experientes do que os Portugueses, pois já tinham tido contato com dois grandes Impérios Americanos (Incas e Astecas), coisa que lhes obrigou a organizarem estratagemas militares inteligentíssimos para operarem a conquista de tais povos. No entanto, no Japão as circunstâncias se apresentaram de uma forma diferente aos Espanhóis por diferentes motivos.
Em primeiro lugar, há que se ressaltar que os povos orientais já eram velhos conhecidos dos Europeus, pois pelo menos desde o Império Romano haviam rotas comerciais entre Europa e China, tais como a estrada da seda.
Os altares móveis eram muito comuns no Japão
daquela época. Tais altares eram feitos no próprio
país, para suprirem a demanda que as
importações não supriam
Sendo assim, os "descobridores" já chegaram ao Japão com uma imagem diferente daquela que tinham dos povos Americanos.
Outro fator importante para o fato de os Espanhóis não terem resolvido empreender uma conquista do Japão foi o fato de os Portugueses terem chegado antes ao arquipélago, e devido a sua mentalidade de trato com os países da Ásia, terem estabelecido feitorias de troca com os povos nativos, fornecendo a eles artefatos europeus, principalmente armas de fogo, o que dificultaria a campanha.
Além desses dois fatores, o que impediu a tentativa espanhola de conquista do Japão foram a chegada de outras potências Européias (tais como Inglaterra e Holanda) à região, e o importante fato do Japão já ter certa experiência tanto em contatos com o exterior quanto a rechaçar ataques marítimos, assim como havia feito por duas vezes com os Mongóis. No entanto, é muito provável que o principal impedimento à conquista Espanhola tenha sido a escassez de minas de ouro e prata no Japão, uma vez que naquela época a principal motivação econômica das potências para realizarem suas expansões era a acumulação de metais preciosos, e para isso, nada melhor do que encontrar uma grande mina, tal como a de Potosí, na atual Bolívia.
Além de colocar o Japão em contato com novas tecnologias e novas correntes de pensamento, a chegada das potências européias ao arquipélago impulsionou o comércio marítimo nipônico, mas, como veremos no próximo item, isto só foi possível devido a uma outra conseqüência da chegada dos europeus, ou seja, o sentimento de necessidade de se recentralizar a política do país.

6.6.2 – Oda Nobunaga e a recentralização do Bakufu:
Desde que o Japão havia mergulhado na descentralização política, vários daimyos haviam iniciado sua política de anexação dos feudos de sua região, com o objetivo inicial de expandirem seus domínios, talvez com o objetivo maior de dominarem todo o arquipélago. A chegada dos estrangeiros fez com que muitos desses daimyos vissem um grande possibilidade de tornarem seu sonho real. Foi justamente o caso de Oda Nobunaga, daimyo de uma região chamada Owari, na costa do oceano Pacífico. Com o sonho sempre declarado de reunificar o país, o daimyo se aliou a outro daimyo de sua região, Tokugawa Iyeyasu, para formar um exército poderoso e começar a por seu plano em prática.
Simpático ao Cristianismo, Nobunaga se aliou aos padres europeus e sendo assim começou a combater os exércitos dos diversos mosteiros budistas. Por ser simpático aos padres cristãos, Nobunaga teve uma grande facilitação na compra de armas de fogo da Europa, sendo assim, formou uma tropa de três mil mosqueteiros, dispostos em três fileiras de mil homens, sendo assim, podiam disparar a cada dez segundos, pois à medida que a primeira fila atirava, a segunda dava um passo à frente e atirava, sendo sucedida pela terceira. Além disso, quem acabava de atirar já começava a recarregar sua arma para atacar novamente dali a trinta segundos. Com uma tropa tão poderosa, em dois anos de campanha (de 1566 a 1568) Nobunaga conseguiu tomar Kyoto, a capital, e sob o pretexto de restaurar os poderes do Bakufu (Shogunato) tornou-se Shogun. No entanto, o Japão ainda não estava totalmente dominado: muitos daimyos ainda precisavam ser pacificados e havia o perigo de uma aliança entre eles contra as forças de Nobunaga. Os europeus conseguiram se manter neutros com relação aos conflitos internos, mas, mesmo assim, mercenários de várias partes da Europa se engajaram em ambos os lados do conflito.
A partir da tomada do poder, Nobunaga passou a assumir a seguinte postura: respeitava a casa Imperial, fazendo-lhe, inclusive, pequenas concessões, desde que esta não o desafiasse. O Shogun também mostrava grande intransigência com a maioria dos mosteiros budistas, por causa de estes serem grandes detentores de tropas e, talvez (trata-se apenas de uma especulação) pelo fato de ele ter se convertido ao Cristianismo (não há dados que comprovem a conversão de Oda Nobunaga, trata-se apenas de uma hipótese). A guerra de Nobunaga contra a mais poderosa corrente budista do Japão, os Ikkoshu, durou oito anos (de 1566 a 1574), quando finalmente o Shogun cercou os religiosos (mulheres e crianças também), na cidade de Nagashima, e ateou-lhes fogo. Mesmo com a eliminação dos Ikkoshu, o Japão ainda não havia sido inteiramente unificado nas mãos do Nobunaga, pois havia muitos daimyos dissidentes.
Oda Nobunaga foi obrigado a abandonar temporariamente suas pretensões de unificação do Japão em prol de organizar os territórios dominados. Nesta tarefa, o Shogun foi igualmente enérgico e cruel, o que aumentou o número de insatisfeitos com seu governo. Em 1582, Akeshi Mitsuhide, um de seus companheiros, o matou e assumiu o poder em seu lugar.

6.6.3 – A Unificação do Japão:
Poucos dias depois que Akeshi Mitsuhide havia assumido o poder, ele foi considerado traidor e deposto. Em seu lugar assumiu o Bakufu um novo Shogun: Toyotomi Hideyoshi. Quando ele assumiu o poder, declaradamente passou a realizar a política de anexar aos domínios do Bakufu tudo aquilo que faltou a Oda Nobunaga, abrindo guerra contra os mais fortes clãs Nipônicos, tais como os Hojo. Em 1590, ele havia conseguido dominar todo o Japão, mas ainda considerava ter um rival muito poderoso mas também seu aliado: Tokugawa Iyeyasu, o antigo daimyo aliado de Oda Nobunaga, e agora seu aliado. Para neutralizar o poder de Iyeyasu, Hideyoshi obrigou-o a se transferir para a cidade de Edo (atual Tokyo), onde ficaria bem distante de Kyoto, que depois de Nobunaga, voltara a ser o centro político do país. Em 1591, o Shogun voltou seus interesses para um projeto muito maior e mais ousado: conquistar a Coréia e a China Ming (dinastia reinante na China da época), para construir um Império pan-asiático. Com esse objetivo, Hideyoshi recrutou mais de 150 mil soldados e os enviou à Coréia divididos em duas tropas. No entanto, a população coreana, recebendo ajuda dos exércitos Chineses, realizou a chamada guerra de guerrilha, derrotando o Japão. Sendo assim, em 1598, o Shogun foi obrigado a assinar com a dinastia Ming um tratado de paz.
Apesar de Toyotomi Hideyoshi ter sido um Shogun marcado por suas campanhas militares, houve outros atos de cunho administrativos que ele tomou que devem ser ressaltados. Primeiro, para evitar os constantes golpes que os samurais aplicavam nos daimyos por ficarem ociosos nos campos, junto aos senhores, o Shogun ordenou que todos os samurais fossem proibidos de executar tarefas de camponeses. Além disso, os obrigou a se transferirem para as cidades mais próximas do feudo de seus daimyos. Para fazer com que sua ordem fosse cumprida, Hideyoshi ordenou o desarmamento de todos os habitantes dos campos.
Além dessa lei de ordem militar, o Shogun tomou outra decisão que se converteu numa lei em vigor até 1872: todas as propriedades agrícolas deveriam calcular seu potencial de produção em sacas de arroz (mesmo que não o produzissem), pagando impostos de acordo com seu potencial de produção de arroz.

6.7 – O Período Tokugawa:
Em 1598, Toyotomi Hideyoshi faleceu em seu castelo, em Osaka. Seu filho, Hideyori, era apenas uma criança, e assim foi designada uma junta formada pelos quatro maiores daimyos do Japão, para servir de regente para o filho do Shogun morto. A junta foi bem sucedida dos nos primeiros meses, mas logo começaram a ficar evidentes as rivalidades dentro dela e o interesse de seus membros de ser o novo Shogun. Sendo assim, em 1599, os cinco pegaram em armas uns contra os outros e iniciou-se um guerra civil no Japão. Tokugawa Iyeyasu era de longe o mais poderoso daimyo do país, e por isso, os outros quatro membros da junta, temendo por suas vidas, se uniram numa facção anti-Tokugawa. A guerra se estendeu do final de 1599 até a dia crucial de 15 de setembro de 1600.
Nesse dia, os exércitos de Tokugawa e de seus antagonistas se encontraram na planície de Sekigahara. Como Ishida Mitsunari havia assumido clara preponderância dentro da facção anti-Tokugawa, os demais daimyos apoiaram Iyeyasu na hora da batalha, ajudando em sua vitória e declarando-o Shogun, título que foi reconhecido pela família Imperial em 1603.

6.7.1 – As reformas do novo Bakufu:
Tokugawa Iyeyasu manteve as reformas de Hideyoshi e inovou em algumas coisas, em especial duas: tornou o Bakufu definitivamente uma instituição de caráter hereditário, eliminando as lutas pelas sucessão Shogunal, e separou definitivamente o Bakufu da casa Imperial, segregando esta última a uma vida de aparências e sem poderes na cidade de Kyoto, enquanto o Bakufu se transferiu para Edo. Ao que parece, Tokugawa Iyeyasu viveu até 1616, mas só governou até 1605, quando entregou o título de Shogun para seu filho, Tokugawa Hidetada. Com efeito, os Shoguns Tokugawa foram muito poderosos desde o princípio: sua vontade era imposta com mão-de-ferro a todo o país e seus poderes perduraram por 264 anos, ou seja, até a restauração Meiji, em 1867 (o Shogunato se iniciou de fato em 1603).
É muito provável que Tokugawa Iyeyasu fosse Cristão, pois durante sua vida, mesmo sob o governo de seu filho, o Cristianismo fez vários avanços no país, bem como as relações comerciais do Japão com os países da Europa da Ásia se intensificaram muito, a tal ponto que entre 1603 e 1633, mais de 300 navios mercantes percorreram as águas do mar até os diversos portos Asiáticos e até Europeus. Além disso, a Companhia Holandesa das Índias Orientais se instalou em Hirado em 1609, enquanto a Companhia Inglesa das Índias Orientais se instala na mesma cidade em 1613. No entanto, quando Iyeyasu morreu, seu filho assumiu de fato plenos poderes e sendo assim, muitas coisas começaram a mudar.

6.7.2 – O Japão se fecha para ao Imperialismo Europeu:
Tokugawa Hidetada não pensava como seu pai, tendo concepções muito diferentes a respeito das relações do Japão para com o resto do mundo. Para ele, a presença dos padres europeus no arquipélago representava um grande perigo à cultura local. Sendo assim, confucionista que era, iniciou uma série de perseguições aos Cristãos Japoneses e aos missionários Europeus. Além da questão religiosa, Hidetada estava começando a se tornar impaciente com as pressões das potências européias, em especial Holanda e Inglaterra, no sentido de maiores concessões comerciais. Para ele, se as concessões fossem maiores, o Japão começaria a ser prejudicado pelo comércio com os Europeus, Logo começou, então, a impor sanções contra as companhias comerciais européias. E não parou por aí.
Em 1617, os missionários são expulsos dos Japão e o Cristianismo é proibido, sendo seus praticantes condenados à morte. Esta medida gerou muita revolta por parte dos Cristãos Japoneses, que começaram a se armar e, em 1637, realizaram a revolta de Shimabara, na ilha de Kyushu. Esse levante foi duramente reprimido por Hidetada, sendo mortos mais de 37 mil cristãos. Calcula-se que, após a derrota dos revoltosos de Shimabara, o Cristianismo tenha sido extinto completamente no Japão. Paralelamente a isso, o Japão fechou-se a toda influência estrangeira. Em 1624 os espanhóis são expulsos, e a eles se seguem portugueses e ingleses, bem como os demais europeus. Aos holandeses foi concedida a autorização para que continuem em Nagasaki até 1640, ano em que foram expulsos.
Como já foi dito acima, entre 1603 e 1633 mais de 300 navios japoneses comercializaram produtos com os diversos portos da Ásia, chegando até a Europa. Esse comércio foi interrompido em 1633, pois o Shogun ordenou que nenhum japonês poderia sair do país a partir daquela data. A partir de 1640, nenhum estrangeiro poderia entrar no Japão.

6.7.3 – O período de isolamento:
Entre 1640 e 1792, o Japão ficou totalmente isolado do restante do mundo, nenhum Japonês saiu do país e nenhum estrangeiro entrou. A religião oficial do arquipélago se tornou o Confucionismo e em cima dele foram desenvolvidos os preceitos básicos de que os Shoguns necessitavam tanto para controlar o país, quanto para justificarem esse controle. Dentro desses preceitos pode-se incluir o Bushido (Bushi + Do, ou seja, o Caminho do Guerreiro), a filosofia de combate que passou a reger a vida dos samurais. Segundo essa filosofia, os samurais deveriam ir para a batalha buscando a morte, sem ter nada a temer.


Foto da corte Shogun pouco antes da restauração Meiji Entre 1792 e 1804, e depois também em 1808, os russos e os ingleses enviam missões ao Japão para exigirem a abertura do país ao comércio europeu. Os enviados não foram recebidos pelo Shogun. O Japão, para impedir novas tentativas, investiu na proteção de sua costa, ameaçando todos aqueles que se aproximassem com ataques a seus navios. Por mais 45 anos o Japão se mantém em total isolamento, até que os Estados Unidos, em 1853, enviarem uma missão diplomática - a primeira missão estrangeira recebida pelo Shogun desde 1640. Chefiada pelo comodoro Perry, a missão tinha o objetivo de estabelecer um contato entre os EUA. e o Japão. Desse encontro começaram a aparecer pressões sutis sobre o Shogun para que o país fosse reaberto ao comércio estrangeiro.
Com o longo governo dos Tokugawa, seu poder já estava um tanto desgastado, e os americanos, percebendo isto, começaram a incentivar um fortalecimento do Shogunato como forma de conseguirem apoio e assim a abertura do Japão.

No entanto, os Shoguns não se deixaram impressionar com tal postura. Assim, apesar de o porto de Yokohama ter sido aberto para o comércio com os EUA, França, Inglaterra, Rússia e Holanda, as pressões mudam no sentido de fazer com que os samurais (revoltados com os desmandos Shogunais) acreditem que o imperador é a única saída para o país. O Shogun começou a sofrer diversas derrotas dos exércitos de samurais leais ao Imperador, até que no final de 1867 ele entrega seus poderes ao jovem imperador Meiji, Matsu-Hito. Depois da restauração, que se concretiza simbolicamente no dia primeiro de janeiro de 1868, o Imperador se esforça para consolidar seu poder, decretando a separação entre budismo e xintoísmo e substituindo o Buddha como principal figura religiosa pela sua própria pessoa. Ou seja, o imperador volta a ser o centro do culto popular Japonês.
Em troca do apoio que recebeu dos países europeus e dos E.U.A., Matsu-Hito abre os portos dos país ao comércio exterior. A partir dessa época, o Japão entra na sua Idade Moderna. No entanto, sua Idade Contemporânea só chegará quando as pretensões de cunho fascista de Hirohito caem por terra com as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, em 1945.
Matsu-Hito Meiji: com ele o Japão
entrou numa nova era de sua História
8 – Conclusão:
Todo texto tem um porquê de ser escrito, e este não é diferente. O que me motivou a escrever sobre os Japoneses no período destacado foram duas coisas:
1ª) Tudo o que se estudo a respeito do Japão, tanto na escola (ensinos fundamental e médio), quanto na faculdade (exceto no caso de uma especialização (pós-graduação ou iniciação científica)) sobre o Japão diz respeito ao período posterior a Era Meiji, que se inicia com a restauração Meiji. Dessa forma, surge uma imensa lacuna no que se refere ao passado mais distante do Japão, com seus samurais, castelos, daimyos e Shoguns. Por isso, desejava que um texto meu pudesse contribuir para preencher esta lacuna naqueles que se interessarem.
2ª) Quando comecei a pensar em escrever sobre o Japão, confesso que só tinha a primeira razão para escrever. É certo que sempre me interessei pela História desse país, mas isso se devia ao fato de eu gostar de História e ser praticante de artes marciais japonesas. No entanto, quando comecei a levantar e ler a bibliografia para o trabalho, pude aprender muito (como a maioria das pessoas, eu sabia muito pouco sobre o Japão nos períodos anteriores a Restauração Meiji) e a perceber o quão grandes (ao menos para mim parecem) são semelhanças entre a História da Europa e a do Japão. Assim, formulei uma teoria e decidi que, se chegasse à conclusão de que ela estava correta, faria de tudo para prová-la neste texto. Por isso escrevi aquele item sobre como nascem, crescem e evoluem as diversas civilizações de uma maneira semelhante. Agora que o trabalho está terminado, modestamente eu creio que consegui cumprir minhas duas aspirações: expliquei um pouco da civilização japonesa num período que é obscuro para a maioria das pessoas e penso também ter conseguido provar muitas semelhanças entre a História do Japão e a da Europa. Não cabe aqui retomar todas as idéias contidas no texto, mas creio que um bom conhecedor da História Européia, poderá facilmente enxergar na estruturação do Império Japonês algumas semelhanças com o Império Romano, bem como o posterior enfraquecimento do Império pode ser comparado às invasões bárbaras que ocorreram em Roma. Da Idade Média nem se fala, pois são muito parecidas e até mesmo divididas em três partes: uma alta Idade Média onde está em desintegração o regime Imperial; uma Idade Média Central, onde o "feudalismo" impera; e uma baixa Idade Média, onde há uma busca da recentralização do poder, além dos interesses mercantis começarem a aflorar.
Posteriormente, na Idade Moderna, ou seja, entre a Restauração Meiji e as bombas atômicas, o Império está restaurado (na Europa de forma fragmentada, ou seja, em vários países) e busca sua expansão (territorial e financeira), com colônias e guerras. Por fim, a Idade Contemporânea se inicia quando o Japão, bem como a Europa (na minha concepção), se adequam a um mundo primeiramente bipolarizado e posteriormente multipolarizado, ou mesmo globalizado. Isso, para mim, é uma prova de que minha teoria estava correta. Pode até ser que não esteja, mas o fato é que se trata de uma teoria e deve ser levada em consideração.

(Textos retirados da Internet)

História do Japão parte 3

6.4.2 – A formação do "feudalismo" Japonês:
É muito comum em filmes, desenhos, romances e até mesmo em aulas de colegial, se ouvir falar em Feudalismo Japonês. No entanto, esta expressão só pode ser utilizada devido à falta de uma melhor. Afinal, o Feudalismo foi um fenômeno ocorrido apenas na Europa ocidental, durante um curto período de sua Idade Média. A denominação está revestida de conceitos que só têm lógicas se inseridos no contexto da época. Para simplificar, podemos dizer que o Feudalismo foi uma evolução da chamada Lei do Colonato, do Imperador Romano Diocleciano, na qual todo o homem que se empregasse numa fazenda ficaria preso à terra e sob responsabilidade do dono dela para sempre, bem como seus descendentes.

O Colonato, com efeito, provocou um esvaziamento gradual das cidades, pois a população começou a se concentrar na zona campestre. Com o aumento das invasão Germânicas, Roma tomou contato com uma tradição desses povos: a Vassalagem. Segundo essa tradição, quando um nobre ou chefe jurava lealdade a outro se tornava seu Vassalo, ou seja, seu guerreiro, tendo a obrigação de ajudá-lo em suas campanhas militares.
A Vassalagem foi largamente empregada no Reino Franco (a França Medieval) durante o Reinado de Carlos Magno (final do século VIII e início do IX), e após sua morte, devido à manutenção (desde os tempos do Império Romano) da agora também tradição do Colonato. Este, somado à Vassalagem e sob a influência fortíssima da Igreja Católica, deram origem ao que ficou conhecido como Feudalismo, onde um senhor (Senhor Feudal) de terras era, ao mesmo tempo, responsável por seus servos (presos à terra devido ao Colonato) e devedor de Vassalagem a seu Suserano (devido a Vassalagem), mas sempre respeitando as tradições Cristãs.
Um castelo japonês visto em corte transversal

Vista de um Castelo Japonês.
Reparem nas muralhas de proteção De acordo com este resumo sobre o Feudalismo, pode-se perceber que a denominação não tem lógica no Japão, pois este não teve contato com a Vassalagem ou o Colonato, e muito menos com a Igreja Católica (pelo menos na época que estamos estudando, ainda não). No entanto, o que chamamos de feudalismo Japonês foi o que relataremos agora.
Quando no final do período Yamato houve o golpe que mudou a dinastia Imperial Japonesa, foram realizadas uma série de mudanças sociais, sendo iniciadas as reformas políticas (o ritsuryo). Destas, a principal foi a transformação de todas as propriedades privadas em terras estatais, como forma de o Imperador retirar o poder dos uji.
Inicialmente, a reforma deu certo. Porém, para garantir o apoio dos uji (membros dos outros clãs importantes), o imperador foi obrigado a conceder isenção de impostos sobre suas terras, mas estas continuavam sujeitas a redistribuição no final de cada geração.
Aos mosteiros foi concedida também a posse das terras sem sujeição a redistribuição. No entanto, aos poucos os grandes clãs foram pressionando os imperadores no sentido de que eles lhes conferissem o mesmo direito que os mosteiros, e enquanto não conseguiam tal concessão mais e mais membros desses clãs se ligaram a vida monástica, como subterfúgio para não perderem suas terras. Ainda durante o período Nara, a concessão aos uji de não terem que submeter suas terras à redistribuição foi dada. No entanto, a concentração de terras nas mãos de um único proprietário continuava vedada, salvo sob autorização Imperial. Os lotes de terra eram iguais para todos.


As áreas em destaque evidenciam a evolução 'feudal' do Japão,
primeiro com "feudos" pequenos que aos poucos são engolidos
por "feudos" maiores até formarem mini Estados regionais Como mencionei, com a autorização Imperial era permitida a concentração da terra nas mãos de um mesmo proprietário e, sendo assim, as famílias mais próximas do Imperador conseguiram, ainda no período Nara, formar grandes propriedades nas diversas províncias, denominadas de shoen. Apesar de terem passado a existir propriedades muito grandes (contínuas ou não), elas não eram de fato propriedades, pois apenas a posse das terras estava nas mãos do clã ou templo, sendo sua propriedade ainda estatal. Sendo assim, quando uma shoen se encontrava abandonada, era freqüentemente invadida por agricultores mais pobres, que tentavam cuidar da terra, como se fosse sua, mas, submetidos a impostos, geralmente acabavam devolvendo-a ao governo. Este, como forma de recompensar a boa fé do agricultor que devolveu a terra, dava a ele uma parte da terra que estava devolvendo. Esta doação era em caráter definitivo: a terra deixava de pertencer ao Estado para pertencer àquele indivíduo. Tais propriedades eram chamadas de shiki. Uma mesma pessoa ou instituição podia possuir um número ilimitado de shiki, sendo em terras contínuas ou não.
Com medo de perderem suas terras, os nobres e os mosteiros começaram a de fato ocupar (através de administradores) as suas diversas terras espalhadas pelo país. Os administradores eram empregados do proprietário da shoen, e por seus serviços tinham direito a uma boa participação nos lucros da unidade que cuidavam. Como as shiki que os mais pobres haviam conseguido podiam ser vendidas, os templos e nobres rapidamente as compraram de volta e estas passaram a engrossar mais ainda suas propriedades. Aos poucos, o direito às shoen foi se tornando quase que uma propriedade real; como não precisavam pagar impostos, os nobres mantinham suas vidas nas cidades, os monges ficavam nos mosteiros e ambas as classes eram sustentadas com tudo o que precisassem por suas terras. Estas deixaram de ser, aos poucos, apenas uma fonte de alimentos, tornando-se um seleiro de guerreiros, os bushidan, que lutavam de acordo com as ordens de seus patrões e cuja atuação passou a ser cada vez mais presente na vida política nacional.
Baseado no que foi dito, pode-se perceber que a ruralização do Japão ocorreu de uma maneira diferente do processo europeu.
Isso porque a maior parte das terras eram descontínuas, e seus senhores verdadeiros não residiam nelas, mas sim nas cidades, principalmente em Heijo e Heian.
Os maiores senhores de terras do Japão eram a família Imperial, a família Fujiwara e o mosteiro Todaiji. Os grandes clãs, bem como os grandes mosteiros, passaram a possuir muitos guerreiros, pois esta era uma forma muito eficaz de se obter poder, ou seja, pela força.
6.4.3 – Os Fujiwara, a corte vil:
A ascensão dos Fujiwara está intimamente ligada à ascensão da família Imperial. Com já disse anteriormente, a família Fujiwara antes se chamava Nakatomi, mas depois que o Príncipe Naka no Oe deu o golpe de estado, ajudado pela família Nakatomi, esta mudou seu nome para Fujiwara (campo de glicínias), em homenagem ao lugar onde foi idealizado o golpe. Os Fujiwara se tornaram rapidamente a principal família do Japão, ultrapassando até mesmo a família Imperial. Isto porque, graças ao fato de o Japão não ter adotado o costume chinês de nomear para os cargos importantes quem se destacasse por suas qualidades, os Fujiwara sempre ocupavam tais cargos. Mas, além do fato de o clã Fujiwara ocupar os principais cargos administrativos do Império, a maior razão pela qual ele adquiriu preponderância foi a de conseguir se ligar sempre à família Imperial, pois a maioria das esposas dos imperadores, e consequentemente as mães dos futuros Imperadores, pertenciam ao clã.
Desde cedo, os Fujiwara conseguiram adquirir muitas terras, se tornando um dos principais proprietários do Japão. Com isso, formaram uma extensa base de guerreiros e de apoio político para, a partir de 858, iniciar seu domínio de fato no país. O controle que os Fujiwara exerciam sobre o Imperador se intensificou a partir desta data, pois puseram ainda mais em prática a política que já vinham desenvolvendo desde sua ascensão, ou seja, a política de Regências, que explicaremos agora.
Quando um imperador menor de idade assumia o trono, era nomeado para ele um Regente (sessho). Assim que o imperador alcançava a idade adulta, o sessho era dispensado e o monarca começava a governar de fato. Em 858, os Fujiwara colocaram em prática um costume muito antigo, que desde o Príncipe Shotoku não era utilizado: o kampaku, ou Regente de Imperador adulto. Através dos cargos de sessho e kampaku, a família Fujiwara passou a governar em nome dos Imperadores, baseando-se no fato de serem parentes da mãe do Imperador para que fossem escolhidos como Regentes. Houve, no entanto, alguns imperadores que, por não serem filhos de mães Fujiwara, não aceitaram a Regência. Mesmo assim, sua pressão nem sempre colhia bons resultados. Afinal, esses governantes eram geralmente casados com esposas Fujiwara e forçados a renunciar para que os Fujiwara se tornassem Regentes de seus filhos ainda menores de idade. Para fugir do domínio Fujiwara, três imperadores que não eram filhos de mães Fujiwara e nem aceitaram a renúncia tentaram nomear para os cargos importantes membros de outras família. A medida não deu certo, pois a família mandante assumiu o controle sobre aqueles e depuseram os discordantes.
Os Fujiwara assumiram tanto poder no Japão que Fujiwara no Michinaga, um grande líder do clã, controlou os imperadores que reinaram durante sua vida sem precisar sequer adotar os títulos de sessho ou kampaku. A vida de Michinaga marca tanto o ápice do poder Fujiwara, quanto o declínio definitivo do poder Imperial no período Heian. Após a morte de Michinaga, em 1028, não houve um outro Fujiwara com tanto poder para dar continuidade às façanhas dele, e o poder do clã começou a declinar. Aliado a isto, estava a ação de grupos de bushidan (guerreiros) que atacavam e dominavam as terras dos aristocratas e dos mosteiros. Os administradores das terras eram impotentes contra os verdadeiros exércitos ilegais, formados por clãs de guerreiros que por, não possuírem outra maneira de obter grandes propriedades, lutavam para toma-las à força.
A política Fujiwara de casar as mulheres da família com os imperadores começou a não mais funcionar. Muitos governantes continuavam a renunciar devido às pressões, mas, como não eram casados com mulheres Fujiwara, assumiam eles próprios a Regência do filho. Esta era uma maneira de governar sem ser atrapalhado pela família dominante. Tal sistema de governo criado pelos imperadores se tornou decisivo para a nivelação da Casa Imperial aos Fujiwara. Afinal, além de sacá-los do poder, o imperador que renunciava concedia a si próprio, como Regente do filho, muitas terras. Assim, a família Imperial vinha gradualmente a possuir mais terras do que o clã Fujiwara.

6.4.4 – Os Guerreiros e o caos do fim da Antigüidade:
À medida que os séculos passavam, a descentralização política se tornava maior. Entretanto, o principal ponto de força desse processo foi o fato de que quando os domínios Imperiais se expandiram para o norte de Honshu, o alistamento das pessoas naturais das regiões recém conquistadas não se mostrou eficiente para garantir o controle imperial sobre a região. Sendo assim, já a partir de 792 a defesa das novas províncias tinha sido entregue a particulares com a obrigação de formarem suas milícias e garantirem a paz nas regiões. No entanto, um fato importante que não agradava aos nobres era a idéia de abandonarem a capital e as grandes cidades para residir em províncias distantes. Para evitar isso, eles nomeavam administradores ou delegados para cuidarem de suas terras e, com isso, protegerem a região com o serviço de seus familiares ou de mercenários.
Esta situação contribuiu para a formação de clãs altamente militarizados nas províncias mais distantes da capital. Esses grupos eram controlados pelos delegados dos nobres ou pelo próprio governador da província, que via no saque aos habitantes locais uma excelente forma de fazer fortuna rapidamente. Além dessas pessoas, havia também os nobres, que se estabeleciam na região tornando-se chefes de clãs militares, muitas vezes mudando até o nome de sua família para diferenciarem-se de seus antigos clãs. De início, esta situação fortaleceu em muito as famílias nobres e também os templos, que eram os maiores detentores de terras. Eles, com seus guerreiros, impunham sua vontade sobre as decisões da corte. Não foram poucos os saques e incêndios que ocorreram em Heian como forma de represália dos nobres e templos por não terem seus desejos atendidos. Estas classes utilizaram-se de seus guerreiros para enriquecer muito, desviando tributos e mercadorias imperiais para proveito próprio.
Os guerreiro (bushi ou bushidan) viviam no campo como trabalhadores, e eram encorajados por seus patrões a cultivarem suas tradições militares. Participavam das batalhas sob a liderança dos patrões, em troca de alguma coisa. A principal relação entre o patrão e seus guerreiros era a do hoko (serviço) pelo goon (favor). Ao mesmo tempo que existiam os guerreiros leais aos seus patrões, existiam também aqueles que uniam seu clã (as pessoas pobres também se dividiam em clãs, que eram as famílias (primos, cunhados etc.)) e se voltavam contra as ordens de seus senhores, em busca de enriquecimento e obtenção de propriedades. Com o passar do tempo, o número desses clãs guerreiros se tornou cada vez maior e poderoso.
A primeira região do Japão a ser dominada por um clã guerreiro foi o Kanto, mas posteriormente mais regiões passaram a ser dominadas por essas organizações. A corte Imperial nunca se importou muito com as movimentações dos clãs guerreiros, pois eles freqüentemente se degladiavam entre si buscando dominar um ao outro para assim engrossarem suas fileiras. Entretanto, por volta do século XII, grandes grupos de guerreiros liderados por chefes carismáticos provaram serem capazes de dominar muitas regiões do Japão, e o poder imperial se viu impotente para resolver tal situação. Afinal, sua única alternativa para eliminar um clã seria recorrer ao seu rival, pois o exército nacional japonês agora já não era muito maior do que os guerreiros controlados pela família Imperial. Por essa época, os maiores detentores de guerreiros eram os clãs de Minamoto (o Genji) e Taira (ou Heike) e a família Fujiwara. Grandes clãs guerreiros, como os próprios Minamoto e os Taira se diziam descendentes de algum Imperador. Por exemplo, os primeiros afirmavam ser descendentes de Seiwa, enquanto que os Taira seriam descendentes de Kammu, o fundador de Heian.
A família Imperial já fazia uso do clã Minamoto como uma espécie de exército nacional desde o século X. No século seguinte, suas missões foram realmente indispensáveis para a manutenção da unidade imperial, pois os Minamoto, sob a liderança de Minamoto no Yoriyoshi, venceram sucessivamente a Guerra dos Nove anos e a Guerra dos Três anos contra os clãs guerreiros dos Abe e dos Kiyohara, pacificando as províncias do norte. No entanto, as façanhas militares dos Minamoto, no século XI, proporcionaram a eles não só um aumento considerável em seus contingentes, com a incorporação ao clã dos guerreiros de outras regiões que ajudaram nas campanhas, como também uma forte aliança entre estes e os Fujiwara. Yoriyoshi era um líder que sabia como conquistar a lealdade de seus guerreiros, não só por suas habilidades bélicas mas principalmente pela preocupação com seus homens.
No século XII, o clã Taira foi chamado pelo Imperador para intervir em assuntos da corte. Taira no Kiyomori, líder do clã, entrou na política Imperial em 1118, e isso deixou irados os clãs Fujiwara e seus aliados Minamoto, pois ambos se sentiram agredidos pela intromissão do líder de um clã rival no seu meio de influência. Entretanto, os Imperadores adotaram uma política de neutralização dos ânimos dos clãs, jogando um contra o outro e apoiando ora um, ora outro. Mas, em 1156, um Imperador que abdicara do trono resolveu reclamá-lo novamente. Os clãs se dividiram no apoio a cada um dos pretendentes, e até havia membros da família Fujiwara apoiando tanto um quanto o outro. Os Minamoto também se dividiram, enquanto que os Taira permaneceram neutros na disputa.
Aproveitando as oportunidades, Taira no Kiyomori derrotou todos os seus rivais nas batalhas de Hogen, em 1156, e Heiji, em 1159. Ele matou todas as principais lideranças do clãs Minamoto e reservou para seu clã as principais lideranças japonesas.

Talvez o único erro de Kiyomori tenha sido o de não acabar de vez com os Minamoto e os Fujiwara, nem tampouco matar os dois pretendentes ao trono. Ao contrário, ele lhes permitiu desempenhar papéis de pouca importância dentro da corte e procurou gerar um Imperador com seu sangue, casando sua filha com um dos pretendentes ao trono.
Enquanto Kiyomori dava as cartas, os Taira adquiriram propriedades por todo o Japão, tornando seu clã o mais poderoso do país. Entretanto, o clã aos poucos foi abandonando sua tradição militar e se radicando na cidade Heian, onde não era visto com bons olhos pelos antigos aristocratas da família Fujiwara. Já os Minamoto se retiraram para as províncias orientais, que eram as bases de suas forças, e se reuniram sob a liderança dos jovens Yoritomo, seu irmão Yoshitsune e seu primo Yoshinaka.
Na década de 1170, finalmente nasceu o Príncipe Antoku, neto de Taira no Kiyomori. Com o nascimento, dentro de pouco tempo a dinastia imperial japonesa seria a do clã Taira. No entanto, em 1180, Minamoto no Yoritomo, novo líder do clã, acreditou que seu grupo já estava forte o suficiente para realizar uma investida definitiva contra os Taira. Assim, Yoshitsune e Yoshinaka conduziram as campanhas que resultam na vitória da batalha de Ichino-tani, em 1184, que obrigou os Taira a abandonar Heian, e na vitória decisiva na batalha marítima de Dan-no-ura, em 1185, quando Kiyomori e seu neto, ainda uma criança, encontram a morte nas águas do Mar Interior. Os demais chefes Taira também foram mortos ou se suicidaram para evitarem a captura. O restante do clã Taira foi literalmente passado a fio de espada.
Depois de consolidada sua vitória, Yoritomo estabeleceu, em 1192, na cidade de Kamakura, um novo sistema de governo: o Shogunato, que era uma governo militar. O governo Imperial permaneceu na cidade de Heian, porém sem poderes. Foi o fim daquilo que é conhecido como o Japão Antigo.
Katana: a espada
típica do Japão. Elas
podiam ser retas ou
curvas, além de terem
três tamanhos diferentes
6.5 – O Período Kamakura:
Após a vitória do clã Minamoto sobre seus rivais Taira, nas batalhas que ficaram conhecidas como Guerras Gempei, Minamoto no Yoritomo, que não participara das batalhas com seus irmãos, ficando no leste do país para organizar suas ações futuras, estabeleceu na cidade de Kamakura um novo sistema de governo batizado de Shogunato, ou Bakufu, ou seja, um sistema de governo totalitário e militarizado. O Shogunato não suprimia a existência do Império, pois não se atribuía nenhuma origem divina. Entretanto, a existência desta nova instituição fez do Império apenas uma entidade figurativa.

6.5.1 – O Shogunato, o Império e os Samurais:
A cidade de Kamakura se localizava numa região muito distante do centro da política imperial japonesa da Antigüidade. Justamente nessas regiões afastadas, como já expliquei, os líderes e clãs guerreiros começaram a ganhar força à medida que a autoridade Imperial demonstrava sinais de fraqueza. Na realidade, talvez um sistema hereditário de poder seja o responsável por tal perda, pois quando uma família se torna a única responsável pelo governo de um país, com o tempo as conspirações e a corrupção (devido ao favorecimento aos amigos e à exclusão dos inimigos) se tornam tamanhos que o sistema fica insustentável. Já num sistema político onde os governantes mudam (inclusive a família dominante), o povo pode ter mais esperança de que, quando o atual governante sair do poder, o sucessor desenvolver uma política inovadora e a situação melhorar. Num sistema Imperial esta hipótese é praticamente inexistente, e com isso as revoltas são mais freqüentes.
O Shogunato era um governo inicialmente semelhante àquilo que foi a Ditadura Militar Brasileira, ou seja, um governo de um general, o Shogun, apoiado por seu exército de bushidan, também ditos samurais (a partir de agora só farei referência aos guerreiros pela palavra samurai). A princípio, este governo pretendia reconstruir o Estado nacional Japonês a partir de uma política extremamente repressora e violenta, mas com uma hierarquia interna muito bem organizada, coisa que jamais acontecera antes. Entretanto, como veremos, com o passar do tempo tal política dividiu ainda mais o já debilitado Japão e favoreceu a real consolidação do "feudalismo" no país.

6.5.2 – Os Hojo e a queda dos Minamoto:
Na realidade, os Minamoto foram muito importantes para a História do Japão não tanto por seus atos de governo, mas por terem implantado no país a nova forma de governo que perduraria até a metade do século XIX. No entanto, o período de poder efetivo do clã sobre o Shogunato foi muito curto.
Em 1185, os Taira foram derrubados, e a isso seguiu-se um período de sete anos de indefinições enquanto os Minamoto terminavam de organizar sua base de poder em Kamakura. O Shogunato só foi implantado de fato em 1192, com o Shogun sendo Minamoto no Yoritomo. Este hábil governante viveu, porém, apenas até 1199, sendo sucedido por seu filho mais velho, que viveu poucos anos e permitiu, em seu governo, a preponderância do clã Hojo, que fora de suma importância durante as Guerras Gempei. Quando o filho de Yoritomo morreu, por volta de 1205, seu irmão assumiu o Shogunato, mas também não viveu muito, tendo morrido em circunstâncias ainda obscuras. Quando esse Shogun morreu, seu filho e único herdeiro era apenas uma criança, assumindo o título de governante sob a Regência, do clã Hojo. Não é preciso dizer que a circunstância desenvolvida no final do Império, ou seja, de os Imperadores terem Regentes mesmo enquanto adultos, se repetiu com os descendentes do clã Minamoto até que, em meados do século XIII, finalmente os Hojo depuseram formalmente os Minamoto e usurparam para si o título de Shogun.

6.5.3 – Os Mongóis e os Kamikazes:
No final do século XII, os Mongóis emergiram do estágio de povos nômades e considerados bárbaros pelos chineses para se tornarem um dos maiores Impérios que o mundo já conheceu. Tal ascensão ocorreu sob a liderança de Gêngis Khan. Em pouco tempo, os Mongóis dominaram a China e boa parte das estepes da Ásia, além de controlarem muitos reinos Turcos, dos quais extraíram sua organização Imperial. Após a morte de Gêngis Khan, a expansão Imperial não parou e chegou até mesmo a entrar em contato com o leste Europeu.
O neto de Gêngis Khan foi Kublai Khan (aquele a quem Marco Pólo visitou em Pequim, de onde trouxe o macarrão), que terminou a conquista da China e não intentava parar sua expansão por ali. O fato é que, em 1268, Kublai Khan enviou uma missão diplomática a Kamakura. A missão estava longe de ser amigável, pois trazia os termos do Imperador Mongol para não declarar guerra ao Japão. Os termos eram os seguintes: o Shogun, juntamente com o Imperador, deveriam renunciar ao governo e se renderem pacificamente aos Mongóis, com a recompensa de que o Shogun seria agraciado com o título de governador do Japão e o Imperador pura e simplesmente afastado. Os Hojo recusaram-se a cumprir os termos dos Mongóis, começando a se preparar para a invasão que certamente ocorreria tão logo Kublai Khan conseguisse reunir forças suficientes.


Desenho de um típico besteiro chinês.
Eles portavam as bestas conhecidas como Chu Ko Nu Em novembro de 1274, 900 navios e mais de 44 mil homens (entre Mongóis, Chineses, Coreanos e Tártaros) aportaram na baía da Hakada, em Kyushu, após já terem conquistado as ilhas Tsushima, pertencentes ao Japão. A luta foi encarniçada, mas os Mongóis, em absoluta maioria, finalmente venceram. Os japoneses que sobreviveram bateram em retirada, deixando a baía sob o controle Mongol. Os invasores foram então dormir em seus navios, para no dia seguinte continuarem a campanha de conquista do arquipélago. No entanto, durante a noite, algo estranho aconteceu: um vendaval fortíssimo pôs a pique toda a esquadra, destruindo desta forma também o exército invasor. Os ventos, ditos sagrados e denominados Kamikazes, foram tidos como obra dos sacerdotes Xintoístas e Budistas, que estavam desde 1268 orando pela proteção do Japão.
Entretanto, os japoneses sabiam que Kublai Khan não se deixaria abater por uma catástrofe, pois seus exércitos não foram derrotados em batalha. Por isso, o Shogun começou a providenciar a construção de uma poderosa esquadra de guerra a fim de enfrentar os invasores ainda nos mares. Toda a região ao redor da baía de Hakada foi fortificada, pois se imaginava que um novo ataque começaria por lá também.
Entre 1275-79, Kublai Khan fez novas tentativas de persuadir o Shogun com propostas diplomáticas de rendição. Entretanto, os generais nipônicos se recusavam a receber os enviados do Imperador Mongol. Sendo assim, os Mongóis se prepararam para um último e derradeiro ataque ao Japão. Formaram um esquadra cinco vezes maior que a primeira (4400 navios) e enviaram mais de 140 mil homens para o arquipélago. Porém, os invasores cometeram um erro: de forma previsível, atacaram novamente a baía de Hakada, onde foram recebidos pela esquadra nipônica (que estava em número muito inferior). Além disso, como os Mongóis haviam dividido suas forças (uma parte saíra da Coréia e a outra da China), eles não estavam com a totalidade de sua esquadra quando se defrontaram com os japoneses. De fato, participava da batalha apenas a armada que deixara a Coréia. Mesmo em minoria, os japoneses conseguiram vencer, mas ficaram debilitados para resistir ao ataque da força vinda da China, que aportou na baía de Hakada cerca de vinte dias depois da primeira batalha. Os Kamikazes novamente agiram: um grande vendaval destruiu toda a esquadra Mongol e pôs fim à segunda investida de Kublai Khan. O Imperador ainda começou a organizar uma terceira investida, mas, como veio a falecer em 1294, não teve tempo de colocá-la em prática.
O fato de por duas vezes os vendavais terem protegido o Japão de invasões estrangeiras criou o mito de que o país seria uma terra protegida pelos deuses (shinkoku), e foi justamente exaltando a memória dos acontecimentos fantásticos das duas invasões Mongóis que os japoneses desenvolveram na Segunda Guerra a tática suicida de jogar o avião sobre embarcações para afundá-las. Os homens que praticavam essa tática também se chamavam Kamikazes.

Mapa mostrando as diferentes frentes de luta com os mongóis

6.6 – O Período Muromachi:
Os Hojo conseguiram manter o Japão unido sob sua opressão, controlando a família Imperial de tal forma que determinavam a sucessão do trono e estabelecendo uma sólida base militar graças ao confisco de terras. Porém, nem tudo ia bem com o Shogunato. Afinal, a criação da esquadra e a construção das fortificações na baía de Hakada exauriram as finanças Shogunais, possibilitando que a família Imperial atingisse um status mais elevado no sentido financeiro. Em 1320, o Imperador Go-Daigo, se aliou ao clã Ashikaga, liderado por Ashikaga Takauji, e declarou guerra ao Shogunato. Em 1333, Go-Daigo derrubou os Hojo, pondo fim ao Shogunato, e restabeleceu o poder Imperial absoluto. O imperador, porém, cometeu um erro crasso ao partilhar o poder: se esqueceu de seu poderoso aliado Ashikaga Takauji. O clã Ashikaga não perdoou o "esquecimento", e em 1336 afastou o governante do trono. Ashikaga Takauji se proclamou Shogun e nomeou um Imperador fantoche para a corte de Heian.
No entanto, Go-Daigo fugira e se refugiou em Yoshino (próximo a Nara), mantendo o título de Imperador e, sob a proteção de seus soldados, agindo como tal. Esse fato provocou um cisma na política centralizadora japonesa, pois o centro e norte do país eram governados pelo Shogun, apoiado pelo Imperador fantoche, enquanto o sul do país era governado por Go-Daigo. Esta cisma caracterizou uma época de intensa luta armada, na qual os samurais assumiram suma importância na resolução dos assuntos nacionais. Tal importância concedeu aos senhores regionais mais poder do que eles já vinham obtendo desde o final da Antigüidade. O Japão só deixou de ter dois Imperadores em 1392, quando Go-Daigo morreu e seus filhos não obtiveram apoio suficiente para dar continuidade ao Império do Sul.


Representação de um samurai Os Ashikaga não eram grandes detentores de terras e, portanto, precisavam confiar em seus aliados e vassalos para terem samurais (samurai quer dizer: "aquele que pega em armas pelo seu senhor") à disposição, o que fortaleceu muito os senhores regionais a ponto de, quando Ashikaga Yoshimitsu (o que destruiu o poder dos descendentes de Go-Daigo) morreu, seus sucessores não conseguiram administrar bem as pressões desses senhores regionais. Estes se fortaleceram politicamente, levando Ashikaga Yoshimasa a abandonar todas as funções de Shogun e conservando somente o título. A descentralização passou a imperar no Japão.
Por essa época, os títulos de Imperador e Shogun haviam praticamente se igualado, ambos sem poderes. A única lei era realmente a do mais forte, ou seja, aquele que detivesse mais terras, mais samurais e mais vassalos. Neste Japão sem leis, os senhores mais poderosos começaram a ampliar muito suas propriedades, até chegarem a dominar pequenos estados, que de fato eram seus "feudos". Esses senhores regionais tão poderosos passaram a ser chamados de daimyos, e eram quem de fato mandavam no Japão, embora cada senhor mandasse apenas em seu "feudo".
No início do século XVI, contavam-se no Japão cerca de 250 desses "feudos", propriedades que, além de muito extensas, constantemente alteradas, por guerras entre os diversos daimyos. Muitas delas deixavam de serem grandes para não mais existirem em poucos anos.
Se compararmos este período da História Japonesa com a História Européia, podemos concluir que, sem muitas diferenças, ele corresponde à Idade Média Central, ou seja, quando na Europa pós Carlos Magno, não havendo quase nenhuma centralização de poder.

(Textos retirados da Internet)

História do Japão parte 2

Exemplo de Guardião de Templo
Xintoísta. Seu Rosto era deformado para
ser ameaçador aos maus espíritos 6.2.1 – A Proto-história:
Neste período, que dura de 400 d.C. até 538 d.C., não podemos dizer que as coisas haviam mudado muito em relação ao período Kofun. Na realidade, o século V e a primeira metade do VI foram um período de profundas transformações, onde a sociedade japonesa recebeu as raízes da centralização que estava por vir. Durante essa fase, os Yamato começaram a preponderar cada vez mais sobre os outros quatro Reinos, chegando a desenvolver um status de superioridade sobre eles, dada por sua força militar e por sua política religiosa. Depois das invasões Coreanas, os Yamato foram os responsáveis pela expulsão do inimigo, adquirindo assim uma posição de protetores do Japão. Sua façanha foi obtida devido a um forte exército centrado principalmente na cavalaria. Com tal poder militar, os Yamato não só expulsaram os invasores como também os atacaram. Como resultado, em 366, dominaram o Reino Coreano de Paekche (que se tornou tributário), o qual controlavam a partir da região de Mimana, que estava sob sua administração direta. Com tal superioridade militar, os outros clãs foram obrigados a nomear os Yamato como o clã líder de uma liga de clãs nipônicos, pagando-lhes alguns tributos. Os novos governantes se aproveitaram da posição recém-conquistada para impor o culto ao seu kami fundador aos outros clãs. Eles se diziam descendentes da deusa do Sol, o que lhes dava muito poder, pois esta era uma deusa comum a todos os cultos. Graças a tal posição, os chefes Yamato ganharam o título de Okimi (Rei Soberano).
A sociedade japonesa no período estava dividida em três classes básicas: os uji (nobres, membros dos clãs), os be (homens livres, servos de clãs) e os yatsuko (escravos: os derrotados em guerras e seus descendentes). Os uji ocupavam os cargos de confiança e os altos postos da administração. Os be eram os trabalhadores dos campos e também funcionários especializados, como escribas (a escrita Chinesa estava sendo introduzida no Japão nesta época) e os yatsuko faziam os trabalhos mais pesados, perigosos e degradantes.

6.2.2 – A instituição do Império:
Em 538 d.C., o Budismo chegou até o Japão, trazendo não só alguns costumes chineses e indianos, como principalmente uma prática que não era conhecida no Japão recém apresentado à escrita: os textos filosóficos e dissertações. Carregado de características elitistas, o Budismo logo se transformou na religião dos uji, continuando os be e os yatsuko com o panteão Xintoísta. Por esta época, a autoridade Yamato já era incontestável, mas o sistema de liga ainda perdurava. Em 593, assumiu o trono Yamato a Rainha Suiko, e como seu Regente, foi nomeado o Príncipe Shotoku.
A área de influência central (espécie de capital) Yamato era a região de Asuka, e foi justamente de lá que Shotoku exerceu seus poderes de Regente (provavelmente havia um Regente pelo fato de o Okimi ser uma mulher).
A escrita Japonesa derivou
da escrita Chinesa acima
representada
Shotoku era um budista fervoroso, sendo atribuída a ele a seguinte frase: "Nada é real, somente o Buddha". Ele instaurou definitivamente o Budismo como religião do clã Yamato e portanto da Casa Real. Durante sua Regência também foi construído o grande pagode de Horyuji, em Nara, mas sua maior importância para o Japão é o fato de ele ter sido o homem que idealizou o sistema Imperial.
A princípio, o Príncipe elaborou uma constituição composta por dezessete diretrizes básicas, todas galgadas na doutrina de Confúcio, de lealdade e respeito à autoridade. Ele também idealizou uma hierarquização rigorosa dos cargos administrativos, e lançou principalmente as bases do poder divino dos Yamato, dizendo: "Quando receberdes ordens Imperiais, fazei o possível para não desobedecê-las, pois o senhor está ligado ao Céu e o vassalo à Terra".
Em carta ao Imperador da China, Shotoku foi sarcástico ao saudar o outro monarca com a seguinte frase: "Do Filho dos Céus, da Terra do Sol Nascente para o Filho da Terra do Sol Poente...".
O Pagode de Nara
É óbvio, no entanto, que Shotoku almejava implantar no Japão o modelo Imperial chinês. No entanto, a única de suas reformas que de fato foi implantada durante sua vida foi a elevação do Okimi a Tenno (segundo a pronúncia honorífica sumera-mikoto), ou seja, Soberano Celestial. Alguns séculos após sua morte, Shotoku foi considerado como sendo uma reencarnação do Buddha, passando a ser o centro do culto popular.
6.2.3 – A queda dos Yamato:
Shotoku morreu em 622, de doença. Como não foi nomeado nenhum novo Regente para seu posto, o trono da agora Imperatriz Suiko foi usurpado pelo clã Soga, liderado por Emishi e seu filho Iruka. Afinal, com o fim das pressões no sentido da centralização (pressões que Shotoku havia iniciado), os clãs se sentiram livres para alçar vôo novamente.
Em 643, Iruka mandou assassinar o filho de Shotoku, para evitar um possível golpe. Tal atitude despertou a raiva entre os rivais de Iruka, e em 645, o Príncipe Imperial Naka no Oe se uniu ao chefe do clã Nakatomi e juntos armaram uma armadilha para Iruka, matando-o e a seu pai num banquete. Foi então colocado no poder um novo Imperador, Kotoku, que ficou encarregado de dar continuidade às reformas de Shotoku. Como este não teve êxito, o Príncipe Naka o derrubou e assumiu o trono sob o nome de Tenji. O clã Nakatomi tomou o nome de Fujiwara, tornando-se assim o antepassado de uma das famílias mais influentes da História do Japão.
Primeiramente, a capital foi transferida de Asuka para Naniwa e o período foi batizado de Taika (Grande Mudança). O verdadeiro objetivo dos líderes do golpe era o de recuperar todos os poderes que os Tenno (Imperador) possuíam antes e ainda dar continuidade às reformas propostas pelo Príncipe Shotoku. Nesse aspecto, vários editos foram feitos pelos reformadores. Eles se referiam principalmente ao fim das grandes propriedades privadas (todas as terras ficariam sob o controle do Imperador); os campos de arroz voltariam para as mãos do governo após a morte de quem tem sua posse, para posterior redistribuição; os be eram abolidos, afim das bases de poder dos uji serem eliminadas. Para obtenção de capital, os reformadores abriram estradas novas, criaram um sistema de correios e reformularam o exército. O próprio Príncipe Naka, para dar o exemplo, doou suas terras para o governo, o que na prática era apenas um artifício ideológico, uma vez que ele era o Imperador.
Devido às grandes mudanças pelas quais o Japão estava passando, o Reino Coreano de Silla se aproveitou para atacar e dominar Paekche, até então sob autoridade japonesa. O fato provocou uma guerra entre o Japão e a Coréia, no ano de 663. Consta que nesse conflito, definido apenas em uma batalha, a de Hakusukinoe, o Japão perdeu 170 navios de guerra e mais de 27 mil homens. Com uma derrota tão arrasadora, o império foi obrigado a desistir de suas pretensões na Coréia, além de ficar vulnerável a um possível ataque de forças chinesas. Com receio, o imperador mandou construir fortificações nos principais portos do litoral ocidental do país (nesta época, o Império se estendia por toda a ilha de Shikoku, a maior parte de Kyushu e também a sul, centro, leste, oeste e noroeste de Honshu).
Como a esperada invasão chinesa não aconteceu, a corte se remeteu a enviar missões diplomáticas à China (da dinastia Tang), para importar a cultura e as instituições chinesas de que o Japão tanto precisava.

6.3 – O Período Nara:
Antes de 694, o Japão nunca tinha tido uma capital de fato, pois os governantes (antes Reis Yamato, depois Imperadores), mesmo habitando uma região, consideravam como capital nada além do que as paredes do palácio. Quando um Imperador morria, um novo palácio era construído para afastar de seu sucessor as energias negativas ligadas à morte. Também a cada morte de Imperador se seguia um período de instabilidade política e volta das rivalidades entre os clãs. Objetivando acabar com esses problemas, em 694 a Imperatriz Jito estabeleceu uma capital fixa na cidade de Fujiwara-kyo (capital Fujiwara, a cidade do clã Fujiwara, principal aliado e conselheiro do Império). Esta cidade foi construída seguindo o modelo de Chang'an, a capital chinesa, abrigando três imperadores entre 694 e 710.


Modelo da cidade de Chang'An Entretanto, em 708, a Imperatriz Gemmyo, decidiu novamente transferir a capital, sendo então construída a cidade de Heijo-kyo (a oeste da atual cidade de Nara). Heijo também seguia o estilo arquitetônico de Chang'an, mas era bem maior do que Fujiwara-kyo, abandonada logo após a construção da nova capital. Heijo ficou pronta em 710, sendo a capital da nação até 784. Nestes 74 anos, a estabilidade política foi assegurada no Império. Foi também nesse período que o Japão viveu sua época áurea de poder Imperial, podendo ser comparado ao governo de Otávio quando este assumiu como Imperador em Roma. Ou seja, era forte e indiscutível.
As instituições chinesas haviam sido adotadas apenas nas partes que favoreciam o poder Imperial; nas que o restringiam, haviam sido esquecidas. Talvez o grande erro do Império Japonês tenha sido, entretanto, o de não adotar a tradição chinesa das nomeações para cargos importantes serem feitas por mérito, e não por descendência. Sendo assim, as qualificações do indivíduo não importavam no Japão, mas apenas sua descendência. Desta maneira, o clã Fujiwara assumiu de tal forma a preponderância sobre os demais clãs que apenas seus membros eram indicados para cargos importantes.
O país estava dividido em províncias, distritos e aldeias. Os campos eram divididos em lotes e distribuídos aos cidadãos, que pagavam um imposto sobre seu lote. Este sistema facilitava a cobrança de impostos. À aristocracia, bem como aos templos e monges budistas, era permitido possuir grandes lotes de terra e isenção de impostos – medidas que fortaleceram tais classes.
Apesar de o Budismo ser a religião adotada pela Casa Imperial, os imperadores nunca abandonaram os rituais xintoístas tradicionais, e esta prática ajudou os monges budistas na popularização da doutrina, com o Butsu se sobrepondo aos kami. Durante o governo da Imperatriz Shotoku, um monge budista chamado Dokyo conseguiu não só ser hospedado em caráter definitivo no palácio Imperial, como também obteve da Imperatriz o título de hoo, ou Rei da Lei Budista (título destinado única e exclusivamente aos imperadores que abandonasse o trono para seguir a vida clerical). Tal poder nas mãos do monge começou a preocupar o clã Fujiwara, que via nisso uma ameaça de perder seus poderes. Sendo assim, ao primeiro indício de que Dokyo almejava o trono, os Fujiwara conseguiram expulsá-lo para o exílio, onde morreu.
A expulsão de Dokyo fortaleceu de forma irremediável os Fujiwara, detonando uma série de lutas entre a aristocracia e os clérigos budistas. Tais confrontos convenceram o Imperador Kammu e seus conselheiros de que a hora de transferir novamente a capital havia chegado.


Esquematização da cidade de Heijo Ao contrário do que se possa pensar, a população não vivia muito bem durante o período Nara, pois o Japão foi constantemente assolado nos séculos VIII e IX por epidemias de varíola.
Dentre as grades obras do período Nara, podemos com certeza citar a construção, na própria cidade de Heijo, do grande mosteiro budista de Todaiji, construído em 745, pelo Imperador Shomu, um budista fervoroso. A construção do templo, feito para abrigar uma gigantesca estátua do BuddhaVairocana, seria o núcleo de uma obra maior: o Imperador ordenara, em 741, a construção de um mosteiro em cada província, com um pagode de sete andares, sob os encargos do Estado. Todos estes mosteiros seriam subservientes ao mosteiro de Todaiji, e este estaria unido ao Estado. A construção de Todaiji é o retrato da união do Budismo com o Estado Imperial Japonês.
6.4 – O Período Heian:
Devido ao desgaste que as lutas entre a aristocracia e a elite clerical provocaram na corte Imperial de Heijo-kyo, em 784, o Imperador Kammu decidiu-se por transferir novamente a capital do Japão. O monarca chamou seu supervisor de construções, Fujiwara no Tanetsugu, e pediu-lhe que escolhesse um local para a construção da nova cidade. Tanetsugu escolheu Nagaoka, ao norte de Heijo. Imediatamente iniciaram-se as obras, e a capital foi transferida para lá ainda durante sua construção. No entanto, a elite sacerdotal ligada ao templo de Todaiji viu nesta medida uma clara diminuição em seus poderes e, sendo assim, começou a conspirar contra o Imperador e seu supervisor de construções.


Esquematizações de Heian-kyo, ao norte
e Nagaoka-kyo, ao sul Em 794, quando as obras já estavam quase concluídas, Tanetsugu foi assassinado pelos conspiradores. Julgando que o ato condenara o futuro da nova cidade, o Imperador Kammu ordenou a construção de outra capital, muito próxima de Nagaoka (menos de três quilômetros ao norte). Tão logo seu palácio ficou pronto, a cidade passou a ser a nova capital, sendo chamada de Heian-kyo (ou seja, kyo (capital), Heian (paz e tranqüilidade). A cidade seria a capital da paz e da tranqüilidade).
A transferência é o marco do encerramento do período Nara, dando início ao período Heian, o último da História do Japão cujo nome está ligado à capital. Na realidade, Heian, que mais tarde, no século XII, passou a ser conhecida como Kyoto (nome atual da cidade), foi a capital do Japão desde 794, até 1868, quando da restauração Meiji. Entretanto, o período não é tão extenso, durando de 794 até 1185 e compreendendo aquilo que seria o declínio da Antigüidade Japonesa, uma vez que o período Nara constitui sua época de ouro.
Heian, bem como as capitais anteriores (Naniwa, Fujiwara, Heijo e Nagaoka), fora construída seguindo o padrão de Chang'an, na China. O estilo da capital chinesa, ao qual fiz menção várias vezes, era simples, ou seja, consistia de ruas horizontais (de leste para oeste) cortando avenidas verticais (de sul a norte).
Além disso, havia uma clara noção proporcional dentro da cidade: dessa forma, existia praticamente duas construções de cada tipo, uma em cada lado (ocidental e oriental) da cidade. A praça onde era construído o palácio Imperial situava-se no norte da cidade, bem ao centro, e era acessada apenas pela avenida principal.
Seguindo tal plano de construção, as cidades possuíam quarteirões bem definidos, e localizar-se dentro dela era muito fácil. No entanto, há uma diferença crucial entre as capitais japonesas e Chang'an. É que a capital chinesa, por se situar em meio ao continente, numa região não muito protegida, era cercada por muralhas, enquanto nas capitais japonesas apenas a praça Imperial (Daidairi) era cercada por muralhas, sendo o restante da cidade protegido apenas pelas montanhas próximas.
Heian não tinha apenas a vantagem (em relação a Heijo), de estar livre da impregnação das lutas entre aristocracia e clero, mas possuía vantagens físicas: era muito melhor abastecida de água, ao ser cortada por três rios. No início, a parte ocupada da cidade era apenas a que constava na planta, ou seja, 4,5km na direção leste-oeste e 5,2km na direção norte-sul. No entanto, aos poucos a população da capital foi aumentando e o povoamento atravessou o rio Kamo, seguindo rumo ao oriente.
Veremos nesta parte do trabalho, os principais acontecimentos da civilização japonesa nos quase quatro séculos de declínio de sua Antigüidade. Poderemos perceber claramente como a autoridade central, inicialmente forte, foi aos poucos se desgastando até ser ofuscada por lideranças regionais.

O mapa acima mostra a localização das capitais japonesas situando-as em seus respectivos períodos


Pagode: ícone do poder dos monges budistas 6.4.1 – O poder e suas conseqüências:
Da fundação de Heian até 858, os imperadores japoneses demonstraram que a transferência da capital dera resultados. Os governantes assumiram tão plenamente suas prerrogativas divinas que conseguiram não só restaurar o poder dos Imperadores do período Nara como também ampliá-los. Tal aumento de poder se deu principalmente pela assimilação ainda maior das instituições chinesas. Foi justamente no século IX que se terminou a implantação do chamado código ritsuryo, ou seja, uma compilação dos códigos Chineses ritsu (penal) e ryo (administrativo), tendo como resultado uma política social muito mais centralizada nas mãos do monarca.
Outro fator que possibilitou o aumento do poder imperial foi o fato de que os monges budistas tiveram sua autoridade extremamente vigiada na nova cidade. Foi permitido a eles construir apenas dois pequenos templos logo na entrada da capital, continuando, portanto, o grande mosteiro de Todaiji a ser o principal centro do poder budista no Japão.
Com a medida, ao menos da pressão clerical o Imperador Kammu se afastara. É preciso que um ponto fique claro. Embora o governante tenha proibido os mosteiros budistas em Heian (salvo a exceção dos dois acima citados), ele não era um anti-budista. Pelo contrário: Kannu foi um grande incentivador da religião no Japão. Tanto é verdade que enviou dois monges budistas, Saicho e Kukai, para a China, afim de que eles aprendessem novos ensinamentos e tomassem contato com novos textos. Quando retornaram, lhes foi permitido que fundassem mosteiros nas colinas das proximidades da capital. Saicho fundou o mosteiro de Enryakuji, e Kukai o de Koyasan. Nestes mosteiros, os monges treinaram novos discípulos e acabaram por criar uma verdadeira aristocracia. O mosteiro de Enryakuji, nas proximidades de Heian, se tornou o verdadeiro patrono da popularização do budismo no Japão.
A permissão aos monges Kukai e Saicho para fundarem mosteiros nas proximidades da capital gerou pressões dos aristocratas (do clã Imperial e do clã Fujiwara) ligados ao budismo para que recebessem privilégios semelhantes. Sendo assim, após a morte de Kammu, em 806, seu sucessor foi obrigado a liberar a construção de mosteiros budistas nas colinas próximas a capital. Essa medida desencadeou a construção de vários novos mosteiros de parentes do Imperador e dos Fujiwara, cercando novamente a capital com a influência clerical.

(Textos retirados da Internet)