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terça-feira, 7 de maio de 2013

Tengu geijutsu ron

Tengu geijutu ron Prefácio Compete à arte das espadas, em seu todo, educar em primeiro lugar a agilidade física no manuseio da espada. Por isso, as diferentes escolas desenvolveram as mais variadas formas, dirigidas tanto ao exterior quanto ao interior, num colorido emaranhado. Quando finalmente possuímos os requisitas físicos, sabemos adaptar-nos às situações mutáveis, podemos confiar nos movimentos do corpo, sabemos adaptar à inércia ou ao movimento de cada situação, e reconhecemos em nós mesmos e no oponente as forças e as fraquezas, quando conduzimos o nosso modo de sentir e de pensar por sendas corretas; então reconhecemos espontaneamente como deveremos proceder nos combates futuros. No entanto, fenômenos como "a espada que mata" e "a espada que dá a vida" não podem, de modo algum, ser debatidos a partir da forma. A decisão sobre a vida e a morte estará em nossas mãos e não na do nosso adversário, quando o sentir e o pensar, e as mãos e os pés corresponderem aos requisitos da situação em mudança. Atualmente, há muitos guerreiros mundialmente famosos pela arte de suas espadas. Cada escola se subdivide em dez mil divisões paralelos que adotam suas regras sem averiguar se são adequadas, e as ensinam a seus discípulos. Em seus ensinamentos, algumas escolas orientam seus alunos de acordo com princípios elevados afirmando que, adotando-os em toda a sua profundidade, pode-se dominar o mundo e o reino. Outras afirmam, em seus ensinamentos, que se pode enfrentar dez oponentes sozinho, apenas com a ajuda da técnica do manejo da espada. Outras ainda afirmam que a vitória sobre tudo aquilo que se nos opõe só pode ser alcançada sem esforço quando exercitamos nosso coração e o fluido vital, conduzindo-os por caminhos corretos. Ah, todos esses são ensinamentos arrogantes e excêntricos e nada têm a ver com a verdadeira arte das espadas! Os discípulos adotam os erros de seus instrutores e nessa base transmitem o ensinamento novamente a seus alunos. Isso assemelha-se ao ditado: "O latido errado de um cão é transmitido por dez mil cães como correto." E não é para se suspirar! Muitos perderam o fio da meada por esse motivo. Não devem ser muitos os que se esforçam e se preocupam tanto com a técnica da habilidade física bem como com a arte do treinamento do coração. Shissai Chozan é um deles. Durante anos, empenhou seu coração nos ensinamentos dos santos e sábios, preocupando-se com os adeptos das artes marciais. E assim ele se queixa daqueles que as estudam do modo como circulam pelo mundo afora. Tendo perdido de vista a sua essência, arrebatam-se por detalhes secundários e interpretam mal o seu Princípio, descartam a sua técnica e afastam-se totalmente do Princípio carreto das espadas. Shissai Chozan redigiu a sua obra Tengu-geijutsu-ron para instruir os jovens e os ignorantes. Remetendo-se aos raros dizeres dos Tengu, ele fala em primeiro lugar sobre o verdadeiro Princípio das artes das espadas. Depois ele menciona os mais profundos Princípios das diversas artes, como a equitação e a estratégia, para finalmente terminar retomando a discussão sobre o treinamento do coração e do fluido vital. Ele deixa que o guerreiro reconheça na ação o seu Caminho intrínseco. Além disso, esclarece exaustivamente neste livro que a lei e a ordem do mundo estão no Caminho que conduz da superficialidade às profundezas, assim como do mais baixo ao mais elevado. E, apoiando-se nesses ensinamentos, o verdadeiro guerreiro aprende a arte da guerra e a pratica da arte das espadas. Ele sente então o desejo solene de não mais afastar-se deste Caminho! Este prefácio foi redigido no 13.° ano de Kyôhô (1728), tsuchinoe-saru, num dia do último mês considerodo auspicioso, pelo eremita Kanda Hakuryûshi, membro do círculo de Toshima de Kojo (Edo) em Tobu. (CONTINUA em breve)

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