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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Aikijujutsu - origens e técnicas

Suas reais origens se perdem no tempo, porém registros antigos colocam sua origem por volta de 850 d.C. pelas mãos do Imperador Senwa Tenno (850–880d.c.) que teria construído as fundações da arte provavelmente após estudar a arte marcial chinesa denominada Chin-na. 
No entanto devemos destacar como grande desenvolvedor do Aiki jujutsu o último neto do Imperador Senwa, Soke Shinra Saburo Yoshimitsu no Minamoto (1045-1127) também irmão de Minamoto no Hachiman TaroYoshii (1041-1108), considerado um dos maiores guerreiros de toda a história Japonesa.
Saburo através de estudos e dissecação de cadáveres de prisioneiros inimigos desenvolveu as técnicas Gyakute e Ichigeki Hissatsu (técnica de eficiência mortal com apenas um golpe). À época sendo já mestre de várias artes como: Sojutsu, to-ho,tai-jutsu entre outras, ao observar uma aranha pegando e prendendo sua presa em uma teia, percebeu chegar à descoberta do Aiki, e junto aoa seu irmão Minamoto no Hachiman TaroYoshii construiu uma enorme variedade de golpes que depois foram denominados Aikijujutsu. Sobre estes golpes sabemos dizer que eles eram constituidos em blocos que denominamos por varios nomes. Em geral haviam duas estruturas de movimentos, a primeira era ensinada para todos que treinavam a arte e a segunda ficou reservada à poucos que penetraram nos segredos da arte dos Minamoto. A primeira parte que denominaremos de aberta é constituída pelos movimentos Omote, Ura e henka que deram origem ao Aikido, Hapkido e outras formas de luta atuais. A segunda por sua vez ficou fechada dentro das poucas escolas de aikijujutsu cujos mestres chegaram a dominar estes níveis profundos e são separadas em Okuden e Himitsu.
As técnicas okuden compreendem os movimentos que denominamos hoje como orosu ou hidoi e os chamados de kage. As formas Hidoi são famosas por sua agressividade e pela presença de atemis complexos em meio aos seus movimentos, já as kage se utilizam de círculos complexos com muitas vezes entradas atípicas os precedendo. Tais movimentos ainda em nossos dias são dominados por poucos, principalmente devido à falta de interesse de grande parte dos mestres em ensinar esta faceta do Aikijujutsu.
O mesmo ocorre com as técnicas denominadas himitsu. Sendo um sistema mais profundo podemos dizer que as técnicas himitsu acabam englobando as demais (omote, ura, henka, hidoi e kage) mas o que as tornam únicas são as conexões que estas possuem com outros elementos do Bujutsu, como o Kempo, o Kyusho, o Jujutsu, o Kumiuchi, o Koppojutsu e outros. Dentro das técnicas Himitsu vemos o aikijujutsu sendo utilizado em formas de ataque o que não é usual nas demais partes da arte, assim como podemos notar formas muito mais complexas de atemis sendo executados antes e depois das chaves. Até mesmo em movimentos de luta de solo os golpes do aikijujutsu passam a ser usados dando assim à esta arte uma nova dimensão muito mais complexa do que a maior parte das pessoas podem imaginar. Pretendemos mostrar estes elementos em vídeo para que as pessoas possam finalmente conhecer integralmente a faceta desta fantástica arte marcial.
  Mas voltando às origens da arte:
A arte dos Minamoto permaneceria como uma tradição de família e foi guardada viva através das gerações, futuramente herdada por seus descendentes.
Nobutomo Takeda, irmão do notório lorde Shingen Takeda, conduziu a linhagem da arte e a fez sobreviver como Takeda Ryu (devemos lembrar que nesta época já haviam muitas outras vertentes do Aikijujutsu que eram conduzidas por outros mestres cujos antepassados treinaram com os Minamoto). Kunitsugu Takeda viajou a Aizu depois de ser derrotado pelas forças de Oda Nobunaga e leyasu Tokugawa, estabelecendo-se no Aizu han (feudo) e trazendo com ele as técnicas criadas pelos Minamoto.
A história do Aizu han tem estado relativamente bem registrada. Suas tradições de artes marciais são vastas e prestigiadas. Foi um lugar conveniente à arte de Takeda para florescer.
Oshikiuchi, ou odome, ou goten jutsu, como a arte tem sido chamada, estava sendo ensinada aos membros de famílias dentro o clã, aos hatamoto, aos membros vigilantes do palácio (de ambos sexos), e outros indivíduos cuja classificação ou ocupação exigia esse aprendizado. Entretanto, é necessário mencionar que o aprendizado não se limitava a técnicas de combate, mas incluía regras de ética, maneiras e comportamento próprio (principalmente para os internos do palácio), protocolo, estratégia e segurança do palácio, e cerimônias religiosas. Por todos esses aspectos de ensino, esses conceitos se tornaram inseparáveis das técnicas de combate para muitos indivíduos.
Após a morte de Shingen Takeda em 1573, seu irmão mais jovem, Kunitsugu, passou os segredos do Daito-ryu para Aizu quando ele foi para lá com o testamento de Shingen. 
O clã de Aizu era originalmente responsável pela guarda de Kyoto. Um grupo de samurais chamados de Shinsengumi estava em atividade antes da Restauração Meiji. O emblema dos Shinsengumi era o mesmo do clã de Aizu, e eram descendentes em linha direta de membros do clã de Aizu. Devido ao relacionamento dos Shisengumi com o clã de Aizu, quando os clãs Satsuma e Tosa conseguiram o poder, eles atacaram e derrotaram o chefe do clã de Aizu na Guerra Civil de Boshin.
Depois do clã estar derrotado, não conseguiu mais se recuperar. Durante esta guerra, os Aizu ainda usavam balas de canhão aquecidas enquanto o exército Imperial usava canhões importados. O clã de Aizu, que deveria estar guardando o Imperador, tinha se tornado inimigo do Imperador. Sendo que os Aizu não eram páreo para as forças do Império. Em certo ponto, o chefe do clã de Aizu foi preso e quase morto. O castelo de Aizu foi incendiado e completamente destruído. Poucos são os estudiosos que têm os registros da genealogia do clã Aizu. Esta foi a destruição final do clã, mas não dos Shinsengumi que sobreviveram à batalha e passaram a viver nas sombras.
Shinsengumi:
Shinsengumi foi um grupo de samuráis que pertenciam ao shogunato de Tokugawa. Formavam uma unidade especiald que auxiliava a polícia para abafar atividades anti-shogunato em Kyoto. Atualmente são vistos como heróis nacionais, porém algumas vezes como traidores devido à maneira em que impuseram seu poder sobre as pessoas. 

Com a chegada do comandante Perry, o Japão entrou num período de medo e caos. Muitos samurai, especialmente os de menor hierarquia, começaram a dividar do poder shogunato em defender o país contra os poderes estrangeiros, principalmente quando chegaram os Navios Negros. O tema “Sonno Joi” – Derrubem o imperador, expulsem os estrangeiros – estava ganhando mais força, e alguns samurais abandonaram seus senhores para ir a Kyoto se unir ao movimento revolucionário. Nesta época desertar seu senhor era um dos pecados mais graves, passível de harakiri e considerado um crime. Esses Ronin aumentaram seu número gradativamente em Kyoto, causando mais distúrbios e problemas na capital. Nesses dias de insatisfação, muitos não possuíam ao menos a noção de qual movimento iriam aderir. A única coisa que sabiam era que estavam impacientes e desejosos de fazer algo em prol da defesa do Japão. Muitas escolas afirmavam o porquê do objetivo do movimento Sonno-Joi: abrir o país para aprender com os gaijin (estrangeiros) e logo atacá-los com sua mesma tecnologia, apoiando o Bakufu (governo militar do Shogun) e expulsar os estrangeiros.
 

O Bakufu decidiu que seria vantajoso tomar os Ronin em seu serviço em vez de deixar-los vagar pela capital. Assim, os samurai sem senhor formaram grupos e se alistaram com os respectivos samurai do Bakufu, onde os requisitos para entrarem eram as habilidades que possuiam com a espadas, submetidos a um exame de Kenjutsu.
 

No distrito de Tama, próximo a Edo, havia um dojo de Kenjutsu – Shieikan – onde se ensinavam o Tennen Rishin Ryu. O sensei responsável pelo dojo era Kondo Isami, que ensinava alunos como Hijikata Toshizou, Okita Soushi e Inoue Genzaburo.
 

O dojo era frequentado por visitantes que iam para comer, e entre os mais destacados estavam Harada Sanosuke e Nagakura Shinpachi, os quais logo se converteriam em importantes capitães das tropas do Shinsengumi. Quando Kondo Isami soube do caos que estava ocorrendo em Kyoto, se dirigiu com esses homens para se alistar com Kiyokawa Hachirou e defender seu território, deixando o dojo sob a direção de seu irmão mais velho, Hijikata Toshizou. Em pouco tempo foram designados como os protetores de Kyoto, por ninguém menos que Matsudaira Kamatori. Saitou Hajime entrou no Shinsengumi com o nome de Jirou Yamaguchi, graças a uma recomendação de Matsudaira Kamatori. Kiyokawa Hachirou estava conspirando contra o Shogun e a favor do império, e por isso foi eliminado no terceiro ano de “Bunkyu”, e esta foi a razão pela qual os homens de Kondo decidissem formar o Shinsengumi, usando como kanji representa “Makoto”, que significa verdade. Verdade que neste sentido quer dizer mais lealdade. Seu lema era “destruir o mal imediatamente”.
 

O Shinsengumi estava organizado da seguinte maneira:
 

• Capitão: Kondou Isami (sensei do dojo)
 
• Vice-capitão: Hijikata Toshizou (o homem que inventou o Hiratsuki)
 
• Conselheiro militar: Itou Kashitarou (foi desertado tempos depois do Shinsengumi por expressar ideais diferentes)
 


Capitães das dez divisiões:
 

• 1era: Okita Soushi (o mais importante e jovem de todos).
 
• 2da: Nagakura Shinpachi (escreveu um libro sobre o Shinsengumi).
 
• 3era: Saitou Hajime (famoso por sua poderosa técnica de ataque com a mão esquerda, ainda mais fatal que que as investidas de Okita).
 
• 4ta: Matsubara Tadaji
 
• 5ta: Takeda Kanryuusai (conhecedor de estratégias militares e medicina, era homosexual, e foi assassinado por Saitou Hajime)
 
• 6ta: Inoue Genzaburo
• 7ma:Tani Sanjuurou
• 8va: Toudou Haisuke
• 9na: Suzuki Mikisaburo
• 10ma: Harada Sanosuke


Muitas histórias populares foram escritas falando destas pessoas.


REFERÊNCIAS
livros "Shinsengumi Shimatsuki", "Shinsengumi Ibun"
 
filmes "Gohatto", "Taboo"

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

História do Japão



Da Idade da Pedra à chegada do Budismo
- de 20 mil a.C. a 538 d.C.
O arquipélago japonês esteve unido ao continente, quer dizer, fazia parte da placa asiática. Isso deve ter acontecido há mais de 100 mil anos. Nesta época, supõe-se que a faixa de terra, que viria a se tornar o Japão, era habitada. Para confirmar esta hipótese, foram encontrados esqueletos fossilizados de homens e animais, inclusive de elefantes pré históricos. A existência desses animais teria provocado a migração dos povos do norte para o Japão.

O período datado a partir de 20 mil a.C. é conhecido como pré-Jomon. Os habitantes do Japão viviam da caça e da pesca, utilizando-se de instrumentos de pedra, conseguidos através do lascamento. Pode-se dizer, era o período da pedra Lascada ou Paleolítico. Pouco se sabe a respeito deste período.

Os japoneses costumam contar a história, quase sempre, a partir do período posterior ao Paleolítico, denominado era Jomon, que iniciou-se aproximadamente no ano 8 mil a.C. O que marca a era Jomon, ou era Neolítica, é a existência de uma cultura mais complexa. Seus habitantes continuam vivendo da caça e da pesca mas com o uso de instrumentos de pedra, desta vez polida. A diferença é a passagem da pedra lascada para a polida. Entretanto, outros artefatos desenvolvidos na Era Jomon devem ser considerados. Os homens inventaram armas como o arco, a flecha e a lança, úteis para a caça. Técnicas mais apuradas de caça foram criadas nesta época. De todos os aperfeiçoamentos, talvez o maior tenha sido a cerâmica. Potes de barro, magnificamente torneados e depois desenhados em relevo com uso de cordas, serviam para o cozimento de alimentos e para o seu armazenamento. O nome Jomon vem daí: quer dizer, marcas de corda.

No período Jomon haviam tribos, portanto os habitantes compartilhavam um espaço comum. A vida organizada já fazia parte do homem de Jomon. Viviam em casas feitas de galhos de árvores e cobertas com palha que ficavam em valas cavadas na terra. Para alimentação, os habitantes costumavam partir os ossos grandes dos animais para extrair o tutano. O javali era caçado para se conseguir a gordura, produto indispensável para a fabricação do óleo. Do veado, conseguia-se a pele para o vestuário de inverno.

Animais domésticos como o cão, foram incorporados rapidamente à comunidade. Eram usados durante as caças. É desta época a evolução dos cães japoneses, entre os quais os de raça Shiba. Quanto ao gato, acredita-se que teria vindo de outras regiões. O mesmo acontecendo com o porco e o cavalo. Mas os dois últimos foram introduzidos no Japão no período que se segue ao Jomon, a Era Yayoi.

O que irá separar o período Jomon do Yayoi é o início da cultura do arroz, período este que inicia-se um ou dois séculos antes de Cristo. A cultura do arroz vem acompanhada de uma migração vinda do continente, jamais vista até então. Técnicas mais avançadas são introduzidas. O metal passa a ser utilizado junto com a pedra polida. Utiliza-se espadas feitas de bronze e espelhos de metal nos rituais religiosos. Instrumentos agrícolas são incrementados a partir do metal e da madeira.


Mas foi a cultura do arroz que provocou modificações profundas na vida social, política e econômica dos aldeões. Como o cultivo do arroz exigia um trabalho coletivo, houve a divisão do trabalho e, conseqüentemente, as diversas divisões de classe, surgindo uma classe dirigente. Os imigrantes tomaram-se integrantes da corte e de clãs poderosos. Em caso de guerra, eles conseguiam vencer os nativos, com facilidade. E suas aldeias prosperam mais do que a dos antigos moradores. A par com a cultura do arroz, estes migrantes, que trouxeram as técnicas de tecelagem, costura e criação do bicho da seda, formaram grupos de trabalho, o dos artífices, para a manufatura de instrumentos de metais, o dos comerciantes, vendedores de potes de barro e, por fim, o dos agricultores. Este fluxo migratório se fixou notadamente ao sul do Japão.

A partir de Yayoi, e o que viria a se tornar depois o Japão, germinam os alicerces de uma cultura agrária e tribal fundamentada na formação de pequenos estados. Documentos chineses da dinastia Han referem-se a um "país de cem reinos". Estes reinos localizar-se-iam ao norte de Kyushu, uma das quatro ilhas que formam o arquipélago nipônico. Os chineses falam nos reinos de Nu (Na), l-tu (Ito), Mo-lu (Matsura) e Pu-mi (Fumi). Há indícios que o reino de Nu pagava tributos a Han no ano 57 a.C.

As guerras internas assolavam os reinos de Kyushu. A paz só foi conseguida com o entronamento de uma mulher, a rainha Himiko, possivelmente no ano de 188 d.C. Como rainha, Himiko unificou 28 nações sob o nome de reino de Yamatai. Estas informações constam dos documentos chineses. Diz, por exemplo, que Himiko tinha poderes sobrenaturais. Ela conseguia prever se a safra de arroz seria boa, e em caso de guerra, se Yamatai sairia vencedor. As adivinhações eram feitas queimando-se pedaços de ossos. Pela rachadura produzida, podia se prever os acontecimentos.

Com a morte de Himiko, as guerras voltaram a acontecer. Havia a necessidade de alguém que mantivesse a unificação de Yamatai. Portanto, diante do impasse, foi escolhida como sucessora, Iyo, de apenas 13 anos. Assim, Yamatai continuou existindo.

Outro fato importante acontecido no período Yayoi é a consolidação do país de Yamato, no século IV. Yamato localizava-se ao lado do rio, do mesmo nome, nas proximidades da atual província de Nara, na ilha central de Honshu. Yamato consegue dominar as nações do norte de Kyushu, as do vale de Yamato e as de Izumo. O chefe de Yamato recebe o nome de Okimi ou Oaiwô (grande rei), e posteriormente, passou-se a denominá-Io Tennô (imperador). Os indícios levam a crer que a origem dos imperadores japoneses esteja em Yamato
.

Dos tempos de Yamato, o que o Japão conserva ainda são os gigantescos túmulos, conhecidos por Kofun(Ryô). O mais famoso é o do imperador Nintoku, na cidade de Sakai, em Osaka. Os imperadores eram enterrados junto a artefatos feitos de argila, o haniwa. Constitui-se o haniwa de réplicas, em miniatura, de casas, cavalos e seres humanos.

Em pleno explendor, Yamato mandou chamar do continente (China e Coréia) artesãos para ensinar os japoneses. Mas de todos os ensinamentos, quem sabe, os mais importantes foram o budismo e a escrita em forma de ideogramas, o kanji.
Do príncipe Shotoku ao período Heian
- de 604 a 1192

A partir da consolidação do reino de Yamato, o Japão começa a tomar forma como um Estado unificado, cabendo aos dirigentes esta unificação. Aquele que vai dar um passo grande neste sentido é Shôtoku Taishi. Saímos do período Yayoi, mais precisamente de sua fase tardia, Kofun (o dos grandes túmulos, de 300 a 391), para o período Assuka. A introdução do budismo se dá neste período.

Intensifica-se as relações com o continente, no caso, a China. Entretanto, Yamato vivia constantes guerras pelo poder. No reinado da imperatriz Suiko surge a figura de Shôtoku (séc. VII). Ele assume a regência e promove diversas mudanças na máquina administrativa. Baixa um decreto no qual os servidores públicos são divididos em doze categorias. Também promulga a "Constituição de Dezessete Artigos", cuja finalidade é disciplinar o trabalho dos funcionários público, tendo por base os ensinamentos do educador chinês Confúcio.

Buscando inovações, Shôtoku torna-se um adepto do budismo. Com entusiasmo, dedica-se a difundir a doutrina de Buda. Ele próprio possui mestres vindos da Coréia para ensina-lo. Um grande contingente de coreanos dos reinos Kokuli e Paikché, dentre monges, estudiosos e artistas fixam residência no Japão. Os templos budistas proliferam e as famílias aristocráticas disputam entre si a sua construção. O mais famoso, o de Hôryuji, fica na cidade de Nara e foi construído por Shotoku Taishi.

A Reforma Taika, de 645 é um marco que os historiadores utilizam para demarcar o final do período Assuka. Com ela é abolido o sistema de propriedade particular, conhecido por "Uji kabane". Assim, os aristocratas, donos da terra, teriam o seu poder enfraquecido. Antes, eles tentavam, através das guerras, influir nas decisões dos imperadores. Com a Reforma Taika, o imperador fortaleceria o seu poder em detrimento dos aristocratas. Em troca das terras, os aristocratas tornar-se-iam funcionários do governo.

Em suma, a Reforma Taika introduziu o regime Ritsuryô, inspirado no modelo chinês.

O período seguinte é conhecido como: Nara. A cidade de Nara torna-se capital em 710. Ela é construída seguindo-se o modelo de Chang'an (atual Xian), a capital de Tang, na China. O período Nara foi marcado por um governo centralizador e burocrático. Beneficiado pelo Estado, o budismo prosperou, assim como a arquitetura e a escultura.

As relações com Tang intensificam-se neste período. Por duzentos anos o intercâmbio cultural e diplomático se mantém. As frágeis embarcações deixam Naniwa (Osaka) em direção ao continente enfrentando as tempestades que assolam o Mar da China. As que conseguem vencer as intempéries, retomam ao Japão trazendo os louros da cultura mais avançada do mundo. Vão para Yamato chineses, coreanos, indianos e persas. É desta época a chegada do monge chinês Ganjin (688-763) para transmitir o Ritsu. Uma das seis correntes do budismo, depois de ter enfrentado as dificuldades da travessia.


C
omo religião do Estado, o budismo se expande em todas as direções. No mosteiro de Todaiji é construído um Buda de bronze, de 16 metros de altura. 

No campo das letras, surgem três obras significativas. As narrativas Kojiki e Nihon Shoki, possivelmente as primeiras fontes da história japonesa, escritas em chinês, contêm lendas a respeito da família imperial, remetendo sempre ao "tempo dos deuses". A outra obra é o Man-yo-shu, onde se encontram reunidos cerca de 4.500 poemas "waka".

A riqueza do período Nara não se estendia às classes menos privilegiadas. Estas continuavam no mesmo estado de pobreza; tinham direito a uma parcela da terra desde que a cultivassem e pagassem os tributos.

Cada vez mais os monges budistas fortaleciam-se como classe, interferindo nas questões burocráticas do Estado. As intrigas palacianas voltaram a acontecer. Quando o sistema encontrou-se saturado, a fim de romper com ele, a solução foi a da mudança da capital. Nara foi trocada por Heian (Kyoto). O período Heian se estendeu de 784 a 1192.

O rompimento no período Nara com o sistema chinês, significava o retorno a uma forma nativa que atendesse aos anseios da nação. Esta forma era a da sofisticação da cultura ao estilo japonês. A família Fujiwara, que se despontou a partir da Reforma Taika, tomou a frente do governo. Utilizando-se de habilidade política aproximou-se da família imperial e por meio de casamentos, o clã Fujiwara passou a exercer poderes próprios ao Imperador.

Enquanto isso, transformações significativas iriam acontecer no campo. As terras, que pertenciam ao governo, entram em colapso. Aproveitando-se disso, as terras privadas (shôen) aumentam nas mãos das famílias poderosas, o mesmo acontecendo com os monges budistas e fazendeiros influentes. Por fim, o governo teve que reconhecer a sua dificuldade em manter as terras. Na época, tinha aumentado o ataque das tribos Ezo vindos do norte do país. Para combatê-Ias, é mandado um grupo de soldados profissionais. A mesma tática é adotada pelos governadores das províncias e donos das terras agrícolas. Eles formam uma guarda particular, recrutando os soldados dentro de seus próprios clãs, de partidários e seguidores. Esta é a origem dos samurais.

Da era Kamakura a Azuchimomoyama
- no tempo dos samurais, 1192 a 1600
A classe dos samurais instala-se no governo através do clã Taira em 1167. À maneira de Fujiwara, duas famílias vindas das classes guerreiras, Heike e Genji, mesclam o sangue com a família imperial. Era a forma para chegar ao poder. Taira, que é chamado também de Heike, chega antes de Genji ao governo. Após a decadência da família Fujiwara, os imperadores tentaram restaurar o seu poder. Período em que inaugura-se a época dos "imperadores enclausurados". As intrigas conduzem às rebeliões, entre elas a de Hogen (1156) e a de Heiji (1159). Desgastes por parte da corte, por outro lado, aumenta o poder dos samurais. Mais precisamente do clã Heike.

Heike que ingressou no governo foi Taira Kiyomori. Casou uma filha com o imperador Takakura, de cuja união nasceu o imperador Antoku. Copiando o fausto da vida palaciana, Taira Kiyomori continua repetindo os erros de Fujiwara, enquanto isso, por fora, os da família Genji estão conspirando. Por fim, os Heike são derrotados na batalha marítima de Danno-ura. Batalha em que todos os chefes Taira são exterminados. O imperador Antoku, de sete anos, é atirado nas águas do mar interior Seto nos braços da avó. Tinha triunfado o clã Genji.

Com Genji no governo inicia-se o período dos shoguns, que perdurou por quase sete séculos. Mais uma vez, a capital é transferida. Desta vez, o shogun escolhe Kamakura. Shogun era o título outorgado pelo imperador ao guerreiro de sua confiança, tornando-o assim, no generalíssimo. No período Kamakura, que se inicia em 1192, coexistem dois governos, o do shogun e o do imperador. Um independente do outro. Em resumo, isto significava o enfraquecimento do poder do imperador.

Entre os fatos marcantes deste período está a invasão do Japão pelos mongóis. Ela acontece por duas vezes no século XIII. Na primeira tentativa, a de 1274, os mongóis chegam a aportar ao norte de Kyushu após sangrenta batalha com os samurais. Mas um tufão violento sopra consegue frustrar as tropas de Kublai Khan. Mas Khan não desiste. Por sorte, mais uma vez o vento sopra a favor dos japoneses. Daí nasce a expressão Kamikaze, ou seja, "o vento divino".

Consolida-se no período Kamakura o poder dos samurais, distribuídos nos feudos. Com o tempo, os feudos se tornam cada vez mais auto-suficientes. Feudos do interior afastam-se do poder central. Assim, conforme aumenta o poder local, as rixas aumentam. As guerras se tornam inevitáveis. Enquanto a classe guerreira se fortalece, são criados códigos que regulamentam as relações entre os seus membros. É o código moral dos samurais.

A história japonesa parece desenrolar-se quase que apenas nas camadas mais elevadas da população. As classes estão divididas entre os nobres, samurais, bonges (comuns) e semmin (marginais). Inúmeras escolas budistas são estabeleci das através do envio de monges japoneses para a China. Às seitas Shingon e Tendai vêm somar-se outras: Jôdo, Jôdo Shin, Hokke e Zen. Seitas ainda existentes no Japão atual.

As guerras desgastam o poder central exercido pelo shogun, principalmente as tentativas dos mongóis em invadir o Japão. Aproveitando-se destas brechas, os imperadores conspiravam a fim de restaurar o seu poder de fato. A primeira tentativa se deu em 1221 com Gotoba, sem sucesso. Mais tarde com Godaigo em 1331. Alguns samurais, descontentes com o shogun, conspiram junto com Godaigo. Entre eles, Takauji Ashikaga. Por fim, o shogun é derrotado e o imperador Kômyô concede a Ashikaga o título de novo shogun. O shogunato de Kamakura vigorou por 140 anos.

Mas Ashikaga não era melhor que o seu antagonista. Com a mudança do governo, muda-se a capital. Ashikaga transfere a para Kyoto. O terceiro shogun desta dinastia, Yoshimitsu, habita o Palácio das Flores de Muromachi, nome usado também para designar este período. A ostentação é uma das marcas fundamentais de Muromachi. O shogun manda construir o Pavilhão de Ouro, cujas paredes são cobertas pelo nobre metal. Em contrapartida, uma outra característica do período são as guerras internas. A primeira é a Guerra Ônin. A partir desta, diversas outras afloram, manchando com sangue o arquipélago japonês. Os feudos disputam entre si a supremacia diante de um governo desorientado. Apesar desta situação o clã Ashikaga consegue manter-se no poder por 235 anos.

A contradição do período foi a arte convivendo com a desordem provocada pela guerra civil. Enquanto guerreiam, os nobres cultivam a poesia "waka", o teatro "nô" e a cerimônia do chá. O gosto pela estética invade os paladares mais finos. É também deste período a chegada dos primeiros ocidentais, os comerciantes portugueses e os jesuítas.

Vai provocar a queda definitiva do clã Ashikaga um general aparentemente obscuro, Nobunaga Oda. De início, fiel a Ashikaga, com o crescimento do seu poder, este é traído por ele. Ashikaga cai. Cresce a influência de Oda a cada batalha ganha. Ele se torna o unificador do Japão, colocando fim nas guerras civis. Derrota a tropa de Katsuyori, o filho do seu maior inimigo, Shinguen Takeda, aliando-se na batalha de Nagashino com Ieyasu Tokugawa. A tática de Oda foi a utilização das armas de fogo, trazidas pelos portugueses. Derrota também os monges guerreiros de Tendai.

A carreira de Oda vai terminar após uma traição. A traição do general Mitsuhide Akechi, depois morto por Hideyoshi Toyotomi, o continuador de Nobunaga Oda. O período conhecido por Azuchimomoyama é pontilhado de acontecimentos, apesar de curto. Não se inaugura nenhum shogunato. A guerra continua fazendo parte do cenário político. É também o momento da expansão do cristianismo na terra de Buda. Quanto ao comércio, os portugueses nunca lucraram tanto como neste período.

Do período Edo aos tempos modernos
- de 1603 a 1867
Mais hábil que os seus antagonistas Nobunaga Oda e Hideyoshi Toyotomi, leyasu Tokugawa conseguiu obter o poder após a derradeira vitória na Batalha de Sekigahara em 1600. Tokugawa era mais um político, que sabia esperar, do que um guerreiro. Foi assim que ele conseguiu obter sucesso. A partir de 1603 começa o último shogunato, o do clã Tokugawa. Nova mudança de capital. Tokugawa preferiu a longínqua vila de Edo, mais tarde Tóquio, distante dos centros aristrocráticos, na região de Kantô. 
Não quer repetir os erros dos shogunatos anteriores de permitir que os feudos se fortaleçam e iniciem uma nova guerra civil. Visando este objetivo, Tokugawa fortalece o shogunato, o governo centralizador, e vigia a ação de seus aliados e de antigos inimigos. Este sistema garante um período de imensa paz, que os historiadores denominam de "Pax Tokugawa".
 

Com Tokugawa no governo, os ânimos são abafados. As divisões em classes sociais, iniciadas por Hideyoshi, tornam se marcantes. Eram elas em ordem hierárquica: samurais, lavradores, artesãos e comerciantes.

Como visava a reconstrução do país, após mais de cem anos em guerra, Tokugawa resolve tomar medidas duras. Uma delas é a expulsão dos estrangeiros, no caso portugueses e espanhóis. O cristianismo é proscrito e os cristãos perseguidos pelo governo. Por fim, o governo resolve fechar os portos a todos os navios estrangeiros, exceto dos chineses e dos holandeses. Os holandeses só podiam ficar na ilha de Dejima em Nagasaki.

Ainda no primeiro século da administração Tokugawa, as últimas resistências tinham de ser vencidas. A mais significativa foi a revolta de Shimabara, em 1637. Os camponeses revoltam se contra a opressão dos senhores de Hizen e Amakusa. São mais de 25 mil revoltosos, somando-se aos camponeses os samurais derrotados em Sekigahara e os cristãos proscritos. A revolta tem à frente um católico, o jovem samurai Shiro Amakusa, de 16 anos.

Outras revoltas vão acontecer, sendo sempre abafadas e os revoltosos punidos. Eram revoltas por causa de problemas relacionados à terra. São menos significativas do que as mudanças que ocorrem durante este período de paz. Com o passar das décadas, a classe dos comerciantes começa a ganhar importância. É ela que fomenta a cultura das áreas urbanas. Os senhores feudais pegam dinheiro emprestado dos comerciantes.


Graças aos comerciantes, as cidades se desenvolvem. Principalmente em Edo e Osaka intensificam as transações comerciais. A indústria é igualmente beneficiada. Período de fartura, a cidade conduz também ao esbanjamento. A cultura, antes confinada nos palácios, escapa para as ruas. É a vez da cultura popular. A escola não é mais privilégio dos nobres. Todos que vivem na cidade podem aprendem a ler e escrever.

Nunca produziu-se tanta literatura como nesta época. E os livros de grande tiragem ficavam ao alcance do povo em geral. A arte popular tendia para as poesias "haikai" e "senryu", para o teatro "kabuki" e "Jôruri", para as xilogravuras ukiyo-e.

As mudanças em todos os setores, inevitavelmente iriam dilapidar a imagem do samurai. Sem mais guerras, a classe guerreira tornou-se uma lembrança do passado, que não tinha acompanhado o desenvolvimento da história. Quem entrava em crise não era somente o shogunato, mas o seu equivalente, o samurai. Em oposição ao samurai estava o comerciante, chamado de chõnin.
Período Moderno
Da modernização Meiji à democracia Taishô
- de 1868 a 1926

O fim do domínio dos shoguns acontece no momento em que o mundo ocidental acabava de experimentar as principais revoluções civis, como a americana e a francesa. E a economia capitalista necessitava cada vez mais de novos mercados, inclusive o japonês. O isolamento provocado após a instauração do shogunato Tokugawa contrariava as leis de oferta e procura. Foi assim que a pressão internacional para a abertura dos portos começou na metade do século passado. Sem sucesso, entre os séculos XVIII e início do XIX, os navios ingleses e russos tentaram quebrar o isolamento. Entretanto, a situação iria se modificar.

A intervenção foi dos Estados Unidos na qual o comodoro Mathew Perry entrega uma mensagem ao emissário do shogum pedindo o fim do isolamento. Este fato acontece em 1853. A abertura dos portos iria provocar, posteriormente, a derrubada do shogunato. Os antigos inimigos de Tokugawa, instalados em Kyushu, aproveitando-se da situação, conspiram. Período em que senhores feudais debelam-se contra os estrangeiros, demonstrando também descontentamento com a fraqueza do shogum. Quem se fortalece neste momento é o imperador, apoiado pelos que querem a derrubada do shogunato Tokugawa.

Por fim, depois de um longo período governado pelos shoguns, o governo centralizado na figura do Imperador volta a existir. A volta dos poderes ao Imperador ocorre em 1867.


Quem se encontra no trono é o jovem Mutsuhito que assumiu aos 14 anos, após a morte do imperador Kômei em 1866.


O retomo do governo para o imperador significa uma total reestruturação nacional, que passa a se chamar Restauração Meiji. Para realmente modificar as estruturas do país, Mutsuhito, o imperador Meiji precisou promover as mudanças mais radicais, como o abolição da classe dos samurais. Precisava modernizar o país para atender as necessidades de desenvolvimento capitalista. Em 1890 foi instituído um governo constitucional, tendo como modelo a constituição alemã.

Com o tempo, o governo japonês começa a enfrentar questões internacionais. Quer que a Coréia estabeleça relações comerciais com o Japão. Mas a China, que cobrava tributos da Coréia e a via como parte de seu território, não se simpatiza com os interesses japoneses. O desentendimento com a China irá lançar o Japão na primeira experiência bélica com o uso de armamentos modernos. Surpresos, os países do Ocidente assistem a vitória japonesa sobre a China. Aumenta no Japão o sentimento nacionalista, fortalecendo o espírito militar.


Numa outra guerra, desta vez com a Rússia, novamente o sucesso esteve do lado do Japão. A partir de então, o Japão pode se considerar a nação mais influente de toda Ásia.

O mérito do imperador Meiji, que governou o Japão por 45 anos, foi o fortalecimento interno, modernizando em pouco tempo os setores industriais, políticos e sociais. É também o momento de efervescência intelectual com a tradução e leitura dos clássicos ocidentais.


Durante o governo Meiji, a concentração urbana causada pelos êxodos rurais, vai provocar a emigração para outros países. Primeiro os emigrantes foram para o Havaí, depois Peru e, a partir de 1908, vieram para o Brasil.


O fenômeno emigratório japonês é conseqüência de momentos de grandes mudanças estruturais na sociedade japonesa. Se durante o período de reclusão, da era Tokugawa, os japoneses tiveram que isolar-se do resto do mundo, mudanças radicais aconteceriam com o advento da era Meiji. De certa forma, o processo se deu de maneira inversa. A transição do trabalho campesino para o industrial trouxe conseqüências drásticas. Problemas de modernidade que o Japão foi obrigado a resolver através da emigração.

O imperador Meiji morre em 1912, tendo como sucessor o príncipe Yoshihito, o imperador Taishô. É neste governo que o Japão participa da I Guerra, ao lado dos aliados. Não foi um governo centralizador como o de Meiji, caracterizado pelo avanço das idéias democráticas. Os democratas queriam menos poder para o imperador e mais para o povo. O sufrágio universal se torna lei em 1925, mas só beneficiando homens acima de 25 anos. Movimentos de cunho operário ganham notoriedade ao lado das idéias socialistas e as dos sindicatos.


Entretanto, mal a democracia começa a criar raízes, nos moldes ocidentais, ela tem morte prematura. Tal como o cristianismo nos séculos XVI e XVII, a democracia é uma idéia pouco atraente para a aristocracia japonesa. A oligarquia não está disposta a ceder espaço. O primeiro-ministro Hara Takashi assume o cargo em 1918. Três anos foram suficientes para que um atentado colocasse fim ao seu governo. Hara não era ligado nem à aristocracia e nem à oligarquia "hambatsu", que apoiava o imperador.

No setor econômico, o Japão obteve sucesso durante o período Taishô. Conseguiu monopolizar o mercado asiático, sem a intromissão dos europeus. Devido a desgaste provocado pelo conflito de 1914 a 1918, a Europa estava debilitada. Os industriais japoneses lançam-se a construir navios diante da escassez mundial deste produto. E conseguem capitalizar na indústria naval. Os produtos industrializados, antes fornecidos pela Alemanha, agora são fabricados pelos japoneses que conquistam o mercado. É o caso dos produtos químicos, medicamentos, tintas e adubos. Dos ingleses, os japoneses tomam o mercado asiático de fiação e tecelagem.


Os grandes bancos japoneses são formados nesta época, devido, principalmente, ao crescimento do parque industrial. São grupos de créditos como o Mitsui, Mitsubishi, Sumitomo, Yasuda e Daiichi.

O crescimento da economia japonesa foi temporário. Durou enquanto a Europa demorou para se recuperar. Com o fim da guerra, os japoneses conheceram o reverso do sucesso capitalista. Os produtos japoneses perdem espaço no mercado. Com isso, a recessão toma conta da vida dos japoneses, mas é justamente nesta situação que prosperam as idéias democráticas.

O fim da era Taishô, de altos e baixos, de democracia e crescimento econômico, vai ser marcado com a ascensão das idéias nacionalistas, com o respaldo dos militares.

Do imperador Shôwa ao imperador Akihito
- de 1926 aos tempos atuais


Ao falar da era Shôwa, remetemo-nos naturalmente ao imperador Hirohito -nome que usava quando vivo-, que teve o mais longo dos governos no Japão moderno. De 1926 até 1989, portanto por 64 anos, o imperador Shôwa governou um país que passou por uma guerra mundial, a responsabilidade e o peso da derrota, inclusive experimentando os horrores da bomba atômica, seguida de um intenso trabalho para a recuperação do país. Após a guerra. O imperador, até então considerado uma divindade, declara ser um homem de carne e osso. Falando pelo rádio para todo o país para explicar a derrota, e mais tarde, caminhando pelos destroços e pedindo para que o povo tivesse esperança para reconstrução, ele assumiu a condição de um ser humano. E foi a primeira vez que a grande maioria dos japoneses ouviu ou viu seu líder de perto.

Todas as contradições do Japão' estiveram presentes na era Showa. De nação bélica, o Japão se tornou um país pacífico, cujo espírito provém inclusive da cláusula de sua nova Constituição.

Quando o imperador Showa recebeu o governo de seu antecessor Taisho, a crise estava instaurada. O malogro da democracia tinha criado condições para o fortalecimento de forças paralelas. Para piorar, o "crack" da Bolsa de Nova York em 1929 afetou a já debilitada economia japonesa. O desemprego chega a uma cifra assustadora: dois milhões de trabalhadores estavam fora das fábricas. Na zona rural, o preço dos produtos agrícolas chega ao ponto crítico. Em contrapartida, há o acúmulo de riqueza nas mãos dos capitalistas. Os partidos políticos estão ameaçados pela corrupção. Nesta instabilidade econômica e política nasce o germe do fascismo japonês. Trata se de um sistema populista centralizador alicerçado na figura do imperador como o único caminho que poderá conduzir o Japão para o desenvolvimento.

Cada vez mais aumenta a influência dos militares diante do fracasso do sistema democrático. O incidente que vai reforçar a expansão imperialista japonesa, sob o comando dos militares, é o de Manchúria. A força japonesa estacionada naquela província desde 1919 provoca em 1931 uma explosão na Estrada de Ferro Sulmanchuriana, pertencente ao governo japonês. A culpa recai sobre os chineses e com isso surge o argumento necessário para justificar uma agressão militar. Assim se inicia o ataque a cidades chinesas pelo exército japonês.

Com a tomada do território, é declarada a independência da Manchúria, colocando como regente Pu Yi, o último imperador da dinastia Ching, deposto pela república. Este Estado, controlado pelos japoneses, é chamado Manchukuo
  - Nação Manchu.

A situação interna no Japão não é das melhores. Não há liberdade de expressão. Os líderes socialistas, operários e liberais desaparecem de cena. São condenados ao ostracismo ou desaparecem nos porões da repressão.

Devido as campanhas militares na China, a economia japonesa encontra-se dilapidada e o comércio exterior impedido de se expandir por pressão dos aliados. Foi quando os Estados Unidos resolveu dar o golpe fatal. O governo americano suspende em 1939 a venda de matérias-primas e demais insumos industriais para o Japão. O petróleo seria uma delas.

Nenhum acordo com o presidente Franklin Roosevelt foi possível. Do lado japonês, o endurecimento das posições se dá com o ministro da Guerra, o general Tojo Hideki, que ascende ao cargo de primeiro ministro. O general não queria mais acordo com os Estados Unidos, preferindo a opção pela guerra.

Ainda não tinha amanhecido em Havaí, em 7 de dezembro de 1941, quando a aviação japonesa ataca a base norte­americana de Pearl Harbor. Em seguida, declara guerra aos Estados Unidos e Inglaterra. Mas a entrada do Japão na guerra estava fadada ao fracasso. Já em 1942, os japoneses davam sinais de debilidade nas guerras do Pacífico.


Derrotada na guerra, o Japão precisa ser reconstruído e adaptado à modernidade. Mas antes, teve que arcar com as dores. As forças aliadas ocupam o Japão em 1945 sob o comando do general Douglas Mac Arthur. O período de ocupação americana, que vai de 1945 a 1951, serviu para o Japão retomar o caminho do desenvolvimento. Foram eliminadas as idéias bélico-imperialistas e restaurada a democracia. Uma década depois, o Japão mostrava sinais de recuperação. É daí a expressão "milagre japonês".

Algumas décadas foram necessárias para colocar o Japão entre os países adiantados. Se no início os produtos japoneses eram considerados baratos e ruins até pelos próprios japoneses, em pouco tempo o País passou a ameaçar os Estados Unidos como segunda potência econômica. Assimilando bem os ensinamentos dos americanos quanto ao aumento de produtividade e melhoria de qualidade, os japoneses passaram a adotar métodos de trabalho que hoje são utilizados no mundo inteiro, que visam principalmente a eliminar o desperdício no processo industrial. Na área comercial, os japoneses ganharam dos americanos em muitos segmentos. Produtos japoneses invadiram as lojas dos Estados Unidos.

O grande desenvolvimento econômico do Japão provocou, a partir da década de 80, um movimento inverso de imigração, comparado àquele do início do século. Os nikkeis do Brasil, do Peru e dos demais países sul-americanos estão retomando ao Japão como mão-de-obra não especializada. São conhecidos como "Dekassegui". Sonham retomar ao Brasil após alguns anos de trabalho no Japão. Por isso, trabalham arduamente a fim de poupar o suficiente para montar um negócio próprio ou adquirir bens no Brasil. Isso nem sempre se realiza. Depois de retomarem ao Brasil, passado algum tempo, voltam ao Japão. E o ciclo volta a se repetir enquanto não conseguem garantir uma estabilidade financeira. A comunidade brasileira no Japão é grande e com isso muitas casas de espetáculos procuram programar shows de música brasileira, enquanto muitos supermercados oferecem comidas típicas. É a cultura brasileira chegando naquele país.

Em 1989, os japoneses choram a morte do imperador Hiroito, que acompanhou os momentos mais difíceis do povo japonês. O imperador que assumiu a nova era, a de Heisei, Akihito, foi o primeiro a se casar com uma moça plebéia, a imperatriz Michiko, e também foi o primeiro a criar seus filhos em sua própria casa. Apesar de a aparência sempre discreta da família imperial ter se mantido a mesma, transformações estavam ocorrendo dentro da milenar tradição. O príncipe herdeiro, Naruhito, seguindo o exemplo do pai, também se casou com uma moça sem laços familiares com a nobreza.

O Japão moderno, consciente de sua limitação territorial e de recursos naturais, procura manter uma relação de cordialidade com todos os países, incentivando sempre o intercâmbio comercial e cultural, Dependente de fornecedores externos, o Japão se tornou o principal exportador de produtos manufaturados e detentor da tecnologia de ponta em quase todos os setores industriais.
Extraído do livro História do Japão – Origem, Desenvolvimento e Tradição de um País Milenar.
Fonte: www.culturajaponesa.com.br

A Batalha dos samurais cristãos


A Batalha dos samurais cristãos

Pouco conhecida fora do Japão, a sangrenta revoltade Shimabara, no século 17, marcou a perseguiçãodos cristãos pelo Xogum e o início de uma era emque os japoneses se isolaram do mundo


Momentos antes de partir para a batalha, um samurai se ajoelha diante de uma cruz e reza, pedindo proteção a Deus. A seguir, ele se junta a uma milícia cujo estandarte é uma bandeira que retrata dois anjos e o cálice sagrado. No alto do tecido branco, lê-se a inscrição “Louvado seja o santíssimo sacramento”. Pode parecer surreal, mas cenas como essas aconteceram em pleno Japão feudal. Arebelião de Shimabara, iniciada em 1637 e sufocada pelas tropas do governo no ano seguinte, envolveu quase 40 mil japoneses. Muitos deles eram católicos e se opunham à proibição do cristianismo no país. Depois que os rebeldes foram massacrados, cristãos e estrangeiros foram perseguidos sem trégua e expulsos do Japão.
rebelião deve seu nome à cidade de Shimabara, localizada na ilha de Kyushu, ao sul do país. A região passou a ser vista pelo governo como uma ameaça à unidade do Japão devido a sua grande população católica. A religião era uma influência direta dos portugueses, cujo primeiro contato com os japoneses tinha sido justamente em Kyushu, onde aportaram em 1543, na cidade de Tanegashima. E o porto de Nagasaki, na parte oeste da mesma ilha, foi a principal porta de entrada de embarcações vindas de Portugal entre os séculos 16 e 17.
Apelidados de nanban-jin (a tradução literal é “bárbaros do sul”), os portugueses logo tomaram conta das ruas de Nagasaki. Senhores feudais de Kyushu tornaram-se cristãos para ganhar a simpatia do povo e dos comerciantes estrangeiros. Em princípio, isso não afetava o poder central. Oda Nobunaga, que governou o Japão de 1567 a 1582, chegou até a incentivar o trabalho dos jesuítas para enfraquecer a influência dos monges budistas (com quem disputava poder político).
Mas o ideal de igualdade pregado pelo cristianismo começou a bater de frente com a hierarquia imposta pelo xogum – desde o século 12, esse era o nome da autoridade que detinha o poder militar, executivo e judiciário no Japão. Em 1603, o xogum Ieyasu Tokugawa havia tomado o poder no país, unificando à força as várias partes do território, controladas por diferentes senhores feudais. Preocupado com a ascensão da religião trazida pelos portugueses, Ieyasu levou seu filho e sucessor, Hidetada, a proibir o cristianismo em 1614. Naquela época, já havia cerca de 300 mil japoneses convertidos.
A proibição, entretanto, foi ignorada. Contrariado, Hidetada mandou executar quatro missionários estrangeiros em 1617, no primeiro ato contra cristãos no Japão. Pouco depois, em 1622, começaram os massacres. Naquele ano, 22 cristãos foram queimados e 30, decapitados. Dois anos depois, a população de Nagasaki já tinha caído de 50 mil para 30 mil habitantes devido às perseguições. Mas os executados tornavam-se mártires e a repressão teve efeito contrário ao pretendido pelas autoridades: a fé dos camponeses só aumentava.
Em Shimabara os conflitos se acentuaram em 1630, quando Shigeharu Matsukura tornou-se o senhor feudal que controlava a cidade. Sua fama era de repressor: ele ordenava aos soldados que ateassem fogo a cristãos vestidos de casacos de palha de arroz. Além disso, implantou um imposto que cobrava dos lavradores 80% do produzido. Esse foi o estopim da rebelião de Shimabara. “Os lavradores passavam fome, havia muita pobreza”, diz Koichi Mori, especialista em cultura japonesa da Universidade de São Paulo. “A população havia sobrevivido a calamidades naturais como seca, má safra e terremotos.”
O movimento não nasceu, portanto, como uma revolta de católicos. “A maioria dos rebeldes não eram cristãos”, afirma Harold Bolitho, professor de História Japonesa na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Mas, apesar de não conhecerem dogmas do cristianismo com profundidade, os camponeses eram atraídos pela idéia de igualdade. “Era uma religião que falava em salvação e o povo, que vivia na miséria, queria acreditar em algo”, diz Sachio Negawa, historiador de cultura japonesa da Universidade de Brasília. Esse algo passou a ter um nome em 24 de outubro de 1637. Naquele dia, camponeses fizeram uma reunião secreta em que elegeram um líder: Shiro Tokisada Masuda. Filho de um vassalo de Yukinaga Konishi, antigo senhor feudal cristão de Shimabara, ele tinha só 16 anos quando a rebelião estourou.
Já naquela época, lendas a respeito do líder proliferavam. A mais difundida era a de que Shiro Amakusa (nome pelo qual ficou conhecido devido à vila onde nascera) era o filho de Deus enviado para salvar o povo da miséria. Essas histórias são quase tudo o que chegou aos dias de hoje a respeito de Amakusa. “Nada se sabe de concreto sobre a vida dele”, diz Harold Bolitho.
Da escolha do líder até o fim de 1637, vários levantes ocorreram. Camponeses atearam fogo a casas, destruíram templos budistas e agrediram oficiais do governo. Em 5 de dezembro, Shiro Amakusa e os rebeldes invadiram o castelo abandonado de Hara, a 32 quilômetros de Shimabara. O local foi escolhido porque ficava em um cume e era cercado por fossos de água, o que facilitava o isolamento e a defesa.
Se, no início, o movimento foi marcado pela indignação dos camponeses oprimidos e não por reivindicações religiosas, depois da tomada do castelo de Hara, o cristianismo ganhou muito espaço entre eles. Vários livros de história descrevem que, em momentos de desespero, os camponeses se apoiavam na fé, levantando cruzes e bandeiras brancas. Para adquirir coragem, rezavam e gritavam os nomes de Jesus Cristo e da Virgem Maria. Em uma escavação arqueológica na fortaleza, iniciada em 1992 com o patrocínio da prefeitura de Nagasaki, foram encontradas imagens de bronze de Jesus, Maria e São Francisco Xavier, além de cruzes e rosários.
Dos 37 mil rebeldes que se reuniram em Shimabara, quase metade eram mulheres e crianças. Entre os cerca de 20 mil homens, uma pequena parte eram ronins (como eram chamados os samurais desempregados, que não estavam servindo a nenhum senhor). Mas não se pode dizer que houvesse um grupo coeso de samurais cristãos lutando em defesa de Shimabara do modo como estamos acostumados a ver em filmes. Apesar de ter surgido no século 12, junto com o xogunato, essa classe de guerreiros só se consolidou no século 18 – respeitando um código de honra e atuando como funcionários públicos.
A ira do Xogum
Ao saber da ocupação do castelo abandonado, Katataka Terazawa, senhor feudal de Amakusa, enviou 3 mil guerreiros para a região. Apenas 200 voltaram vivos. Os boatos logo chegaram aos ouvidos do xogum Iemitsu Tokugawa, que tinha alcançado o poder em 1623, ao substituir o pai, Hidetada. Ele ficou impressionado com a resistência dos rebeldes e enviou uma tropa de 26 mil soldados comandados por Shigemasa Itakura. No primeiro ataque, 600 homens morreram e, na segunda tentativa, 5 mil homens de Itakura foram mortos, enquanto menos de 100 rebeldes ficaram feridos.
Em janeiro de 1638, as tropas do xogum tentaram invadir o castelo e foram duramente castigadas, a ponto de o próprio comandante Itakura ter sido morto em combate. Ele foi então substituído pelo conselheiro do xogum, Matsudaira Nobutsuma, mandado para Shimabara com 120 mil homens. Há quem diga que esse poderoso exército contou até com a participação de Musashi Miyamoto, o samurai mais famoso da história do Japão, invencível por mais de 60 duelos consecutivos. Mas, historicamente, não há provas da participação dele na batalha – o que se sabe apenas é que Musashi se instalou em Kumamoto, localidade próxima a Shimabara, em 1640, cinco anos antes de sua morte.
A chegada do conselheiro Nobutsuma a Hara foi um momento importante para a mudança de estratégia. Em vez de simplesmente atacar, ele fez um cerco em volta do castelo, para evitar que os rebeldes saíssem do forte em busca de comida. Achava que a fome faria com que se rendessem. Passados alguns dias, ele jogou uma carta dentro do castelo prometendo perdoar aqueles que se entregassem. Não adiantou. Definhando, os rebeldes entoavam orações e canções que pediam a bênção de Deus para cortar a cabeça de seus inimigos.
A fim de acabar com a resistência, as tropas do xogum tiveram que requisitar o auxílio de estrangeiros. Navios de guerra vindos da Holanda foram então enviados para bombardear o castelo de Hara. Cerca de 400 balas de canhão foram encontradas nas escavações da fortaleza. Mas, em vez de forçar a rendição dos camponeses, a artilharia pesada parece ter dado mais matéria-prima para sua fé: arqueólogos acharam 16 cruzes de metal no castelo, provavelmente feitas a partir da fundição dos projéteis.
Em 10 de março de 1638, senhores feudais de lugares como Amakusa e Shimabara enviaram reforços para auxiliar as tropas oficiais. Nesse ponto do combate, estima-se que já houvesse 200 mil soldados contra 30 mil rebeldes. Um mês depois, um grupo de camponeses tentou um ataque noturno às tropas do governo. O resultado foi um desastre: 380 rebeldes morreram e alguns sobreviventes capturados revelaram que não havia mais comida ou pólvora dentro do castelo. A informação serviu para que fosse planejado o ataque final, que ocorreu em 11 de abril de 1638. Os cristãos lutaram desesperadamente. Além de espadas e lanças, utilizaram pedras, pedaços de madeira, utensílios de cozinha ou qualquer coisa que pudesse ser empunhada como arma ou atirada do canhão que eles possuíam.
O castelo foi invadido de madrugada. Cerca de 5 mil rebeldes se sacrificaram para não terem que se render. O restante foi dizimado sem piedade. Shiro Amakusa e outros líderes foram decapitados e suas cabeças foram expostas na ponte de Dejima, em Nagasaki. Do lado oficial, apenas 1 100 soldados morreram. Apesar da vitória, Matsukura, o senhor feudal de Shimabara, se sentiu desonrado e cometeu harakiri (suicídio ritual). Terasawa, senhor de Amakusa, foi punido pelo xogum com a perda de parte de suas terras. Pouco depois, ele enlouqueceu e também se matou.
A feroz resistência dos fiéis nos cinco meses de batalha deixou o xogum Iemitsu extremamente preocupado. Tanto que, depois de Shimabara, os cristãos e estrangeiros passaram a ser os maiores inimigos do governo Tokugawa. Em Nagasaki, padres eram mortos em público e queimados vivos. Aproximadamente 80% dos cristãos da cidade foram executados e os outros foram presos ou escravizados. Prêmios em dinheiro eram oferecidos aos que denunciassem os religiosos clandestinos.
Quanto aos estrangeiros, a política foi restringir cada vez mais sua presença no Japão. Em 1636, cidadãos de diversas nacionalidades já haviam sido banidos, inclusive os portugueses. O último decreto nesse sentido foi baixado em 1639: apenas holandeses e chineses, que haviam reforçado o ataque a Shimabara, puderam permanecer no país, embora tenham ficado restritos a algumas partes de Nagasaki. As únicas pessoas que podiam circular por esses guetos eram as gueixas – ao contrário de muitos comerciantes japoneses, que abriram falência com o declínio do intercâmbio com o exterior, elas prosperaram.
Outra proibição chegou em 1641, impedindo a importação de publicações em língua portuguesa – exceto obras sobre medicina, navegação e astronomia. Decisões como essa fizeram parte da política de fechamento e isolamento que perdurou no Japão até o início da chamada Restauração Meiji, em 1868 (que aboliu o sistema do xogunato, tirou o poder das mãos dos Tokugawa e o devolveu à família real). Antes de ser expulsos, entretanto, os portugueses já haviam deixado um grande legado tecnológico e cultural. Graças a eles, os japoneses tinham conhecido a espingarda, a impressão de livros (como o primeiro dicionário da língua japonesa, editado em 1603) e objetos como relógios, óculos e calças. Até hoje é comum ouvir no Japão palavras que nasceram do português. É o caso de botan (botão), tempura (que vem de “tempero”) e birudo (vidro). Mas não se anime em ir colocando arigatô na lista. A história de que a forma de agradecer dos japoneses deriva de “obrigado” é pura lenda.

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