Formando Mestres e elevando a qualidade das Artes Marciais.

Treine com os melhores!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Técnicas de meditação

1-    Domínio do Pensamento

Sente‑se confortavelmente numa cadeira ou deite‑se. Relaxe todo o corpo, feche os olhos durante cinco minutos e observe o curso dos pensamentos que você tenta fixar. No início irá perceber que uma grande quantidade desses pensamentos precipitar‑se‑ão em sua mente, na sua maioria pensamentos relativos a coisas a situações do dia‑a‑dia, às suas atividades profissionais, suas preocupações em geral. Imagine‑se na posição de um observador silencioso, totalmente livre a independente. Conforme o estado de ânimo e a situação em que você se encontrar no momento, esse exercício será mais ou menos difícil de realizar. Não se trata de perder o curso do pensamento ou de esquecê‑lo, mas de acompanhá-lo com atenção. Devemos sobretudo evitar pegar no sono durante o exercício. Ao nos sentirmos cansados, devemos interromper o exercício imediatamente a adiá-lo para uma outra ocasião, quando então assumiremos o compromisso de não nos deixarmos dominar pelo cansaço. Algumas respirações profundas antes do exercício eliminam e previnem o cansaço e a sonolência.
Com o tempo, o aprendiz descobrirá por si mesmo essas e outras pequenas medidas auxiliares. Esse exercício de controle do pensa­mento deverá ser feito de manhã e à noite, e a cada dia o seu tempo deverá ser prolongado em um minuto, para que em uma semana possamos acompanhar a controlar o curso de nossos pensamentos por no máximo dez minutos sem nos dispersarmos. Esse período de tempo foi determinado para o homem mediano, comum. Quem achá-lo insuficiente pode prolongá-lo de acordo com a própria avaliação.
De qualquer modo deve‑se avançar com prudência, pois não há motivos para pressa; em cada pessoa o desenvolvimento ocorre de forma bastante individual. Mas não se deve de jeito nenhum seguir adiante antes de dominar totalmente o exercício anterior.
O aprendiz atencioso perceberá como inicialmente os pensa­mentos vão sobressaltá‑lo, passando por sua mente em grande velocidade a dificultando a sua captação. Mas de um exercício a outro ele constatará que o caos inicial irá desaparecendo aos poucos a eles ficarão mais ordenados, até que só uns poucos surgirão na sua mente como que vindos de muito longe.
Devemos dedicar a máxima atenção a esse trabalho de controle do pensamento, pois ele é extremamente importante para a evolução espiritual, o que mais tarde se evidenciará por si mesmo.
Pressupondo‑se que o exercício em questão foi suficiente­mente elaborado a que todos já conseguem dominar a sua prática, podemos prosseguir com mais uma instrução, que é a instrução mental.
Já aprendemos a controlar nossos pensamentos. O exercício seguinte consiste em não permitir que pensamentos insistentes e indesejados aflorem em nossas mentes. Por exemplo, ao retornar­mos à nossa vida privada a familiar, devemos estar em condições de evitar as preocupações ligadas ao nosso trabalho profissional. Todos os pensamentos que não pertencem à nossa vida privada devem ser desligados, a devemos imediatamente nos transformar em outras pessoas. E vice‑versa, na nossa atividade profissional devemos direcionar nossos pensamentos exclusivamente ao trabalho a não permitir que se desviem para outros locais, como o ambiente doméstico ou privado, ou qualquer outro. Isso deve ser exercitado até transformar‑se num hábito.
Devemos sobretudo habituar‑nos a executar nossas tarefas, no trabalho ou na vida privada, com a máxima consciência, sem levar em conta o fato de se tratar de algo grande, importante, ou de uma coisa insignificante, pequena. Esse exercício deve ser cultivado ao longo de toda a vida, pois ele aguça a mente a fortalece a memória e a consciência.
Depois de obtermos uma certa prática na execução desse exercício, podemos passar ao próximo, que consiste em fixar uma única idéia por um certo período de tempo, a reprimir com firmeza outros pensamentos que vêm se juntar a ela na mente, com violentos sobressaltos. Escolha um pensamento ou uma idéia qualquer de sua preferência, ou então uma imagem. Fixe‑a com toda a força, a rejeite energicamente todos os outros pensamentos que não tenham nada a ver com os do exercício. No início, você só conseguirá fazer isso por alguns segundos, a posteriormente, por alguns minutos. Você tem que conseguir fixar um único pensamento a acompanhá-lo por no mínimo dez minutos seguidos.
Se for bem sucedido em seu intento, estará maduro para mais um exercício, que consistirá no aprendizado do esvaziamento total da mente. Deite‑se confortavelmente num sofá ou numa cama, ou então sobre uma cadeira reclinável, a relaxe o corpo inteiro. Feche os olhos. Rejeite energicamente todos os pensamentos emergentes. Em sua mente não deve haver nada, somente o vazio total. Fixe esse estado de vazio total, sem se desviar ou se distrair. No início você só conseguirá manter isso durante alguns segundos, mas exercitando‑se constantemente conseguirá um melhor desempenho. O objetivo do exercício será alcançado quando você conseguir manter‑se nesse estado durante dez minutos completos, sem se distrair ou adormecer.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Abe no Seimei

Abe no Seimei foi um famoso onmyouji nascido no meio do Período Heian, no 11º dia do 1º mês do 21º ano da Era Engi (21/02/921 do nosso calendário gregoriano), e falecido no 26º dia do 9º mês do 2º ano da Era Kankou (31/10/1005). Sua história está cercada de mitos e mistérios, razão pela qual é considerado uma figura lendária.
Seimei trabalhou como onmyouji para os imperadores e para o governo do Período Heian, fazendo calendários, prevendo eventos astronômicos e assessorando sobre qual maneira espiritual mais adequada para lidar com os problemas, dentre outros assuntos. Ele teve uma vida longa, livre de quaisquer doenças graves, o que contribuiu para a crença popular de que possuía poderes místicos. Sua fama atravessou séculos, e ele é conhecido hoje como o maior onmyouji da história do Japão.

Abe no Seimei nasceu para ser um mito. Sua genealogia não é muito clara. Seria descendente do poeta Abe no Nakamaro, filho de Abe no Yasuna. Sua mãe, no entanto, seria uma kitsune (raposa) do tipo yousei – uma espécie de youkai(criatura sobrenatural) diferentes das kitsune do tipo bakemono chamada Kuzunoha. Abe no Seimei era, então um han’you, um meio-youkai (han = meio, metade; you).

Deixado aos cuidados de Kamo no Tadayuki, este onmyouji tomou o jovem Seimei como discípulo, iniciando-o nas artes do Onmyoudou. No 4º ano da Era Tentoku (960 do calendário gregoriano), já versado nas diversas artes doOnmyoudou, especialmente a Astronomia, Abe no Seimei foi chamado para prever a sorte do Imperador Murakami, tendo reconhecidas as suas habilidades perante toda a aristocracia.

Seimei teve dois filhos que também se tornaram onmyoujis, Abe no Yoshihira, o mais velho, e Abe no Yoshimasa, o mais novo. A casa onde morou, em Kyoto, foi transformada em templo, o conhecido Seimei Jinja. Seu túmulo está localizado em Sagano, Kyoto, silenciosamente adormecido nas proximidades da ponte de Togetsukyo.


Lendas Japonesas

Lendas do Japão (O legendário Hidesato)

Tawara Touda Hidesato, historicamente Fujiwara-no-Hidesato, foi um guerreiro da Era Heian (794~1185) que se tornou conhecido por combater na rebelião de Taira-no-Masakado na província de Hitachi, matando seu líder na batalha de Kojima, em 940. Esta foi a primeira e a principal rebelião da classe dos guerreiros contra o governo imperial. Muitas histórias fantasiosas nasceram em torno de Hidesato, que ficou conhecido popularmente como Tawara Touda.
Entre as legendárias histórias atribuídas a Hidesato, a mais conhecida é aquela na qual ele enfrenta uma lacraia gigante.
Tudo começou quando Hidesato atravessava a Ponte Seta-no-Karashi, no Lago Biwa, a maior lagoa do Japão. No meio da ponte, havia um dragão adormecido, obstruindo a passagem. Sem se incomodar, Hidesato passou por cima do rabo do dragão e seguiu seu caminho. Depois que deu alguns passos, ouviu uma voz feminina chamando por ele. O guerreiro virou-se e deparou-se com uma linda donzela que o chamava.
– Sou a filha do rei Dragão, que tem um palácio no meio deste lago. Há dias que estou aqui na ponte na forma de um tenebroso dragão, tentando encontrar alguém corajoso que não tenha medo de monstros. Todas as pessoas chegavam até a ponte e, quando me viam, saíam correndo. O senhor foi o único que seguiu seu caminho por cima de meu corpo.
– Se isso é um elogio, eu agradeço – disse Hidesato.
– Queria lhe pedir um grande favor.
– Se estiver ao meu alcance, terei prazer em atendê-la.
– A pedido de meu pai, estava a procura de um guerreiro corajoso e acho que finalmente o encontrei. Uma lacraia gigante desce do Monte Mikami e está devorando todos os membros da minha família. Um a um estão sendo vitimados pelo monstro, que fez de nós, do palácio de Dragão, seu alimento. Creio que serei a próxima vítima, pois minhas irmãs foram todas devoradas pela criatura gigante.
Hidesato, que nada temia e adorava aventuras, concordou prontamente em ajudá-la. Assim, ele seguiu a donzela e foram para o palácio do rei Dragão.
Lá chegando, conheceu o rei Dragão, que havia preparado uma grande festa para lhe dar boas-vindas. Foi um grandioso banquete com muitas iguarias deliciosas, regadas com fino saquê (vinho de arroz). Todos da corte dançavam e cantavam como não faziam há muito tempo, pois estavam esperançosos de que havia chegado o salvador. Em plena festa, o dia começou a escurecer e uma bateria de trovões ribombou nas nuvens.
Hidesato correu para a varanda do segundo andar com arco e flecha em punho. O Monte Mikami estava irreconhecível. Envolta em neblina, dava para perceber uma forma espiral com mil pernas, enrolando completamente a montanha. A lacraia gigante tinha uma enorme cabeça com duas bolas de fogo no lugar dos olhos.
O guerreiro preparou a flecha no arco e retesou a corda o quanto pôde. A flecha partiu em direção ao brilho dos olhos do monstro e acertou-o no meio da testa. Porém, o gigantesco inseto continuou avançando em direção ao palácio, como se nada tivesse acontecido.
Imediatamente, Hidesato colocou outra flecha no arco e disparou. E mais uma vez nada aconteceu. Só lhe restou uma flecha das três que ele levara para a varanda. A lacraia gigante estava bem perto. A princesa e o rei Dragão estavam apavorados e tremendo de medo. Ao colocar a última flecha no arco, o guerreiro lembrou que as crianças brincavam cuspindo em centopéias, pois diziam que a saliva humana era mortal para esse tipo de inseto. Então, colocou, por um momento, a flecha na sua boca, lubrificou-a com saliva e mirou-a na testa do monstro. Quando atirou a flecha, um grito horrível ecoou no palácio. Trovões ribombaram, relâmpagos cortaram o ar, e o palácio parecia desmoronar. Em seguida, as bolas de fogo apagaram-se e começou a cair uma chuva torrencial.
Todas as pessoas do palácio estavam prostradas no chão, tamanho o susto. A tempestade assustadora atravessou a noite, clareando ao amanhecer.
No dia seguinte, o céu estava claro. O sol brilhou radiante. Na superfície do Lago Biwa, boiava o corpo sem vida da lacraia gigante. O rei Dragão e toda a corte festejaram com euforia o fim do pesadelo. Hidesato foi festejado como o grande herói do Lago Biwa.
Quando Hidesato foi se despedir do rei Dragão para continuar suas andanças pelo Japão, recebeu deste alguns presentes: um saco de arroz, um rolo de seda, dois sinos e uma caçarola.
– São lembranças simples, mas de todo o coração.
Uma comitiva liderada pela bela princesa Dragão carregou os presentes até a ponte, onde se despediram do herói.
Quando chegou em casa, Hidesato descobriu que os presentes não eram nada comuns. O rolo de seda, quando se cortava um pedaço para fazer quimonos, aumentava automaticamente na mesma proporção, portanto, nunca acabava. Da mesma forma, o saco de arroz, à medida que era esvaziado, tornava a se encher. Era inesgotável. Então, quando a vizinhança ficou sabendo disso, passaram a chamá-lo de Tawara Touda, ou seja, senhor saco de arroz.
Por sua vez, a caçarola cozinhava mesmo sem fogo, e os sinos, cujo som ecoava até os limites da província Oomi (atual Shiga), foram doados ao Templo de Mii para serem tocados em horas determinadas, servindo de marcador de horas para toda a população.